22.2.15

Muçulmanos formam cordão em volta de sinagoga


Mais de mil muçulmanos formaram um escudo humano em volta de uma sinagoga de Oslo, neste sábado (21), oferecendo proteção simbólica para a comunidade judaica da cidade e condenando o ataque à sinagoga da vizinha Dinamarca, no último final de semana.

Cantando "Não ao antisemitismo, não à islamofobia", os muçulmanos noruegueses formaram o que eles chamaram de anel da paz, uma semana depois que Abdel Hamid El-Hussein, um filho dinamarquês de imigrantes palestinos, matar duas pessoas em uma sinagoga e em um evento que promovia a liberdade de expressão em Copenhagen, no último final de semana.


"A humanidade é uma só e estamos aqui para demonstrar isso", disse Zeeshan Abdullah, um dos organizadores do protesto à multidão de imigrantes muçulmanos e noruegueses que lotaram a pequena rua em volta da única sinagoga em funcionamento em Oslo.




Bolsa de estudos em nome dos 3 muçulmanos assassinados

Universidade na qual estudavam os 3 jovens muçulmanos americanos assassinados oferece bolsa de estudos em nome dos 3. 

Em nome de Deah, o rapaz, será oferecida bolsa para alunos fazendo cursos em Leadership (liderança), em nome de Yusor, esposa dele, será oferecida bolsa para alunos de Services (serviços) e em nome de Razan, irmã de Yusor, bolsa para estudantes de Creativity (criatividade).


Deah, a esposa Yusor (no centro) e a irmã dela, Razan


Assista aqui ao vídeo da reportagem (em inglês)

Fonte: New NCSU scholarship honors Chapel Hill shooting victims




25.9.14

Carta aberta para Al-Baghdadi (líder do ISIS)

Abaixo, traduzido para o português, está o sumário executivo de uma carta publicada e assinada por 126 eruditos muçulmanos para Al-Baghdadi, o líder do ISIS que se autointitulou "califa". 
A carta original é um pouco longa e de conteúdo complexo para os que não têm um bom conhecimento de teologia e jurisprudência islâmicas, e contesta ponto a ponto atitudes ou posições assumidas por Al-Baghdadi, levando em conta não o que foi divulgado pela mídia, mas sim o que foi assumido e divulgado pelo próprio grupo ISIS. 
O sumário executivo, entretanto, é direto e de fácil compreensão. A carta completa em inglês pode ser lida e baixada em http://lettertobaghdadi.com/

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Sumário Executivo 

1- No Islã é proibido emitir fatwas sem todos os requisitos necessários de conhecimento. Mesmo assim as fatwas devem seguir a teoria legal islâmica como definida nos textos clássicos. Também é proibido citar uma porção de um versículo do Alcorão - ou parte de um versículo - para derivar uma regra sem observar tudo que o Alcorão e os hadiths ensinam sobre aquela questão. Em outras palavras, existem pré-requisitos subjetivos e objetivos para as fatwas e não se pode “escolher” versículos corânicos para argumentos legais sem considerar todo o Alcorão e os hadiths. 
2- No Islã é proibido emitir normas legais sobre qualquer coisa sem ter domínio absoluto da língua árabe. 
3- No Islã é proibido simplificar excessivamente questões da Shariah e ignorar ciências islâmicas estabelecidas. 
4- É permissível no Islã [para os eruditos] diferir em qualquer questão, exceto aqueles fundamentos da religião que todos os muçulmanos devem saber. 
5- No Islã é proibido ignorar a realidade de tempos contemporâneos ao derivar regras legais. 
6- No Islã é proibido matar o inocente. 
7- No Islã é proibido matar emissários, embaixadores e diplomatas, portanto, é proibido matar jornalistas e trabalhadores humanitários. 
8- O jihad no Islã é uma guerra defensiva. Não é permissível sem a causa e o propósito certos e sem as normas certas de conduta. 
9- No Islã é proibido declarar as pessoas como não muçulmanas, a menos que ela declare a descrença abertamente.
10- No Islã é proibido prejudicar ou maltratar - de qualquer forma - os cristãos ou qualquer “Povo do Livro”. 
11- É obrigatório considerar os Yazidis como Povo do livro. 
12- É proibido no Islã a reintrodução da escravidão. Foi abolida por consenso universal. 
13- No Islã é proibido forçar as pessoas a se converterem. 
14- No Islã é proibido negar às mulheres os direitos delas. 
15- No Islã é proibido negar às crianças os direitos delas. 
16- No Islã é proibido promulgar punições legais (hudud) sem seguir os procedimentos corretos que asseguram justiça e misericórdia. 
17- No Islã é proibido torturar pessoas. 
18- No Islã é proibido desfigurar os mortos. 
19- No Islã é proibido atribuir ações maléficas a Deus. 
20- No Islã é proibido destruir os túmulos e templos dos profetas e companheiros. 
21- No Islã é proibida a insurreição armada por qualquer razão além da descrença clara do governante e se ele impedir o povo de orar. 
22- No Islã é proibido declarar um califado sem consenso de todos os muçulmanos. 
 23- No Islã é permitida a lealdade à uma nação. 
24- Depois da morte do profeta , o Islã não requer que ninguém emigre para lugar nenhum. 


9.5.14

4.9.13

Hijab - Mulheres de Véu

Patricia, Zahreen, Jamile, Maria, Jamila e Marcela são mulheres cariocas que adotaram o islamismo como religião e passaram a usar o hijab, tradicional véu que cobre os cabelos das mulheres muçulmanas.

 O filme de Paulo Halm dialoga com essas mulheres e mostra as consequências dessa opção religiosa na relação com suas famílias, na escola, no trabalho, num momento em que o preconceito contra os muçulmanos é crescente.

Venham conhecer essas mulheres no cinema, A PARTIR DO DIA 6 DE SETEMBRO.

É importante assistir ao filme no primeiro final de semana. A carreira do filme depende fundamentalmente das bilheterias dessas primeiras sessões. 


Hijab - Mulheres de véu - trailler from Canhota Filmes on Vimeo.



Hijab é curtinho, 78 minutos, depois ainda dá tempo de comer umas esfihas...

Bora ver?!

No Rio:
Espaço Itaú de Cinema, sala 3, às 20h

Ponto Cine, às 16 e às 20h

Em SP:
Frei Caneca, sala 4, às 20h30



7.8.13

12.4.12

Inspirada na Disney, patinadora árabe é a 1ª a disputar torneio europeu no gelo

Inspirada por uma comédia infanto-juvenil da Disney quando tinha 11 anos, uma jovem árabe resolveu tentar a sorte na patinação artística no gelo.

Hoje, aos 17, Zahra Lari será a primeira atleta árabe a participar de um torneio internacional da modalidade, a Copa Europeia, em Canazei, na Itália, de 9 a 14 de abril, competição que reúne atletas de 50 países.




Zahra Lari, 17, treina em arena de Abu Dhabi

"Eu vi um filme chamado 'Sonhos no Gelo', que era sobre uma menina nerd que fez um projeto sobre física usando a patinação no gelo como parte de seus estudos e que acaba se apaixonando pelo esporte", disse ela. "Vi o filme e amei. Sabia que era aquilo que eu queria fazer", completou. "Sonhos no Gelo" é um longa do estúdio da Walt Disney de 2005.

Lari teve (e tem) o apoio dos pais e passou a treinar em Abu Dhabi. A condição era que ela se mantivesse firme nos estudos e na religião.

"Treino seis dias por semana, antes de ir para a escola e depois. Levanto 4h30 da manhã, faço os exercícios no gelo e vou para a escola", conta. "A melhor parte é completar os saltos, mas é muito trabalho. A pior é quando tem que recomeçar após cair", completa.

A jovem árabe deixa claro ainda que há outros desafios. "Algumas pessoas acham que isto não é coisa de uma garota muçulmana ou uma garota árabe deveria fazer, mas as coisas têm mudado agora", disse. "Geralmente as mulheres têm apoio para a prática de esportes em Abu Dhabi."

A mãe, Roquiya Cohran, garante que ela e o marido apoiam a iniciativa da filha 100%. "A coisa mais importante é a educação. Ela se mantém firme na escola e quando chega em casa e termina as rezas, tem que fazer o dever escolar. Ela é muito boa aluna", garante.

Seu próximo passo é deixar a categoria juvenil e poder disputar uma Olimpíada de Inverno. A próxima será em 2014, na Rússia.



8.3.12

Frase para o Dia Internacional da Mulher



"A mulher foi feita da costela do homem. Não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual, debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada."

Profeta Muhammad


Que todos os homens tentem colocá-lo em prática não só no dia de hoje, mas todos os dias, inclusive alguns muçulmanos que andam esquecidos desse belo ensinamento do nosso profeta.





5.3.12

Jovem cientista


Azza Fayyad, egípcia de 16 anos, ganhou um prêmio internacional para jovens cientistas patrocinado pela União Europeia por sua descoberta para produzir biocombustível a partir de plástico.

4.3.12

Islamismo está em alta entre Jovens Brasileiros

Fifa dá passo para liberar uso de véu islâmico

A International Board, órgão da Fifa que define e muda as regras do futebol, decidiu autorizar provisoriamente que jogadores usem o hijab, o véu islâmico, nos jogos.

Uma decisão final sobre o tema, porém, só será tomada em nova reunião da entidade, marcada para 2 de julho.

Na semana passada, o conselheiro especial da ONU para o esporte, Wilfried Lemke, enviou carta ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, pedindo que a entidade autorize o uso do hijab para as jogadoras que desejem vesti-lo.

A polêmica em torno do véu islâmico acontece desde o ano passado, quando a seleção feminina do Irã foi punida com derrota de 3 a 0 para a da Jordânia por disputar um jogo do Pré-Olímpico para Londres-2012 com um uniforme que incluía o hijab.

Fonte: Folha de São Paulo



29.2.12

ONU apoia uso do véu islâmico no futebol

A Organização das Nações Unidas (ONU) aderiu à campanha para derrubar o veto ao hijab, véu islâmico, no futebol quatro dias antes de os cartolas do esporte se reunirem para revisar a decisão.

O assessor especial da secretaria geral da ONU para esportes para o desenvolvimento e a paz, Wilfried Lemke, escreveu ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, manifestando seu apoio ao direito de usar um véu com uma abertura de velcro.



Com o véu islâmico, jogadoras do Irã celebram vitória contra a Síria, em 2007

Lemke expressou esperança de que "a questão seja resolvida de forma a respeitar tanto as leis do esporte como as considerações culturais, enquanto promove o futebol para todas as mulheres sem discriminação", disse a ONU em comunicado.

"Isso enviaria a mensagem de que toda jogadora, do mais alto nível de elite até as bases, têm o direito de decidir se usa ou não essa peça em especial do vestuário enquanto estiver no campo."




Iranianas em jogo contra a seleção da Jordânia (de branco), em 2005

"Isso daria a oportunidade para que extraordinárias atletas do sexo feminino demonstrem que o uso do véu não é um obstáculo para se distinguir na vida e nos esportes, e, portanto, contribuiria para contestar os estereótipos de gênero e trazer uma mudança nas mentalidades."

Embora esportes olímpicos como o rúgbi e o taekwondo permitam que as mulheres muçulmanas usem o véu nas competições, o futebol opõe-se à medida por questões de segurança.

No ano passado, a seleção feminina de futebol do Irã foi impedida de jogar uma partida das eliminatórias para a Olimpíada de 2012 contra a Jordânia porque as jogadoras se recusaram a tirar seus hijabs.

O Irã, que liderou o grupo na primeira rodada das eliminatórias olímpicas sem perder nenhum um jogo, foi punido com derrota por 3 x 0 naquela partida, o que colocou fim ao sonho de ir para as Olimpíadas de Londres.

A decisão sobre a proibição será analisada pelo Conselho Internacional da Associação de Futebol, que vai se reunir na Inglaterra no próximo sábado.


Fonte: Folha de São Paulo


10.2.12

Freira vai à Justiça para poder usar véu em foto da CNH no PR

ESTELITA HASS CARAZZAI

DE CURITIBA


Uma freira de Cascavel (478 km de Curitiba) conseguiu na Justiça o direito de usar o véu na foto da carteira de motorista.

A decisão, emitida no final de janeiro, se baseia na Constituição Federal, que determina que "ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política".

A irmã Kelly Cristina Favaretto, 33, já havia feito sua primeira habilitação, em 2006, com o véu, mas foi impedida de usar o hábito quando tentou renovar a carteira, em agosto do ano passado.

O motivo, segundo o Detran-PR, foi uma resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), de 2006 --posterior à primeira habilitação de Favaretto--, que determina que o motorista não pode utilizar "óculos, bonés, gorros, chapéus ou qualquer outro item de vestuário que cubra parte do rosto ou da cabeça" na foto.

A irmã protestou e resolveu recorrer à Justiça. "Eu fui em busca dos meus direitos. [O véu] Não é um acessório. É um sinal de consagração e pertence a Deus. Sem ele, eu estaria infringindo a minha opção de vida."

Favaretto entrou para a Congregação das Pequenas Irmãs da Sagrada Família aos 18 anos e usa o véu desde os 27. Em seus outros documentos, a foto foi tirada sem o véu. "No RG, eu só tinha 15 anos", conta.

Na decisão de primeira instância, a irmã perdeu a causa, pois a juíza entendeu que a resolução do Contran não era ilegal e tinha como objetivo "a perfeita identificação do condutor". "Trata-se de perfeito respeito à Segurança Pública, [...] e é uma norma geral, de caráter nacional", escreveu a magistrada Vanessa de Lazzari Hoffmann.

Foi só no TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, em Porto Alegre, que a freira conseguiu reverter a decisão. O acórdão do TRF acolheu um parecer do Ministério Público Federal, que afirma que o uso do véu está relacionado à convicção religiosa da freira, protegida pela Constituição Federal.

"[A norma do Contran] Restringe uma liberdade religiosa para o fim de, supostamente, permitir a visibilidade do motorista e a segurança em geral", afirma o procurador Januário Paludo. "É uma exigência um tanto rigorosa. Se a freira está obrigada pela ordem a que pertence e por convicção própria a usar o véu, ela não é obrigada a retirá-lo."

A ação ainda precisa voltar à primeira instância para que, então, a Justiça permita à freira fazer a foto com o véu.

Favaretto pretende fazer sua nova carteira de habilitação "assim que tiver a decisão em mãos". Além dela, as outras 34 irmãs de sua congregação também foram beneficiadas com a sentença e poderão usar o véu na foto oficial quando sair a decisão final.


Fonte: Folha de São Paulo



Foto do Ano de 2011

Link
Foto do Ano de 2011 para o “World Press Photo Award”, do espanhol Samuel Aranda, mostra mulher segurando ferido durante protestos contra o ditador Ali Abdullah Saleh, no Iêmen

1.9.11

Fim do Ramadã dá início a verdadeiro festival gastronômico

MARCELO NINIO
DE JERUSALÉM

Todos os olhares no mundo islâmico se voltaram para o céu no início desta semana, em busca do primeiro sinal da lua nova. A aparição indicou o fim do Ramadã, mês sagrado dos muçulmanos, e o início de uma verdadeiro festival gastronômico.

Embora o Ramadã gire em torno da leitura do Corão e do jejum diário, o mês é também fortemente marcado pelas iguarias do "iftar", o jantar que reúne as famílias para a quebra do jejum.


Jantar muçulmano para quebrar o jejum do Ramadã em hotel de Dhaka, em Bangladesh


Nos países muçulmanos, os dias de abstinência são uma corrida aos mercados, em busca dos ingredientes que estarão nas mesas do "iftar" e do "sohor", o café da manhã prévio ao jejum.

As receitas variam de acordo com os costumes de cada país. Em comum entre eles, a fartura das mesas, verdadeiros banquetes. Sobretudo no momento da sobremesa, quando a degustação de doces pode durar horas.

"Servimos os pratos típicos da cozinha árabe e adicionamos algumas tradições do Ramadã, como o suco de tamarindo, as tâmaras secas e os doces", diz Joseph Ghazzawi, gerente do hotel Ancars, em Ramallah, na Palestina.

No bufê montado sob uma tenda, que o gerente diz, orgulhoso, ser "a única de Ramallah", uma mesa com 11 diferentes pratos quentes, além de dez tipos de saladas. Entre eles, abobrinhas, maxixes e berinjelas recheadas com arroz e carneiro, arroz com açafrão e passas, quiabo com tomate, "cigarros" de folhas de uva com recheio de arroz e especiarias, e uma bandeja com misteriosos embrulhos de papel laminado.

Dentro, um delicioso pedaço de carneiro feito no vapor, macio a ponto de desmanchar-se na boca. As saladas são um mundo a parte, do humus (pasta de grão-de-bico), a vários tipos de coalhada e legumes em conserva.

CORRIDA

Depois de 15 horas em jejum, a corrida aos pratos é inevitável. Seis TVs ornamentam a tenda, alternado passagens do Corão e pegadinhas da televisão egípcia.

O jejum é em geral quebrado com algumas tâmaras secas ou suco de tamarindo. Em seguida, um caldo ralo com "friki", o trigo assado que é obrigatório nas mesas do Ramadã. Até os cristãos de Israel entram no clima.

"Não jejuamos, mas gostamos de ir a restaurantes no 'iftar' e participar da confraternização", diz Vera Juries, cristã de Jerusalém.

Na mesa das sobremesas, dez tipos de doces. Há desde os tradicionais "baklawa" (pastel de massa folhada) e "knafe" (massa fina com queijo), musses, tortas e massas fritas e "basbousa" (bolo com calda de rosas).

Durante um mês (que pode variar de 29 a 30 dias, segundo o calendário lunar) é proibido comer, beber, fumar e praticar sexo da alvorada até o pôr do sol. Isso às vezes significa café da manhã às 3h.

"Acordo, como e volto a dormir", diz Wael Alqarra, que trabalha em uma organização humanitária em Gaza. "É um grande café da manhã, só que no meio da noite", diz.

De Jerusalém a Teerã, a comida muda as cidades durante o período do Ramadã.

Patrícia Chiarello, que no início de agosto tornou-se a primeira diplomata brasileira a servir no Irã, ficou surpresa com o comércio de rua que surge no fim do jejum.

"Uma coisa curiosa é a aglomeração de pessoas em frente a restaurantes ou até pequenos quiosques que vendem sopa na cidade. De repente, é dada a largada e todos avançam para comer."


Fonte: Folha de São Paulo



6.2.11

Muçulmanos e cristãos oram juntos na Praça Tahrir, na capital do Egito


Egípcio ora prostrado sobre bandeira do país na Praça Tahrir, neste domingo (6); em seus óculos escuros, o crescente, símbolo do Islã, e a cruz, símbolo do cristianismo (Foto: Reuters)


Muçulmanos e cristãos egípcios rezaram juntos neste domingo (6) na emblemática Praça Tahrir, no centro do Cairo, ao mesmo tempo que governo e oposição pareciam esboçar um acordo para encerrar a crise política no país. A praça virou a fortaleza dos manifestantes que, durante 13 dias, exigiram a renúncia imediata do contestado presidente Hosni Mubarak.

Os muçulmanos realizaram primeiro sua prece diária do meio-dia, ajoelharam-se em direção a Meca, numa praça onde se produziu uma batalha campal na quarta-feira passada, quando milhares de partidários do presidente entraram em Tahrir para desalojar os opositores.

Depois, um grupo evangélico entoou duas canções, uma delas pedindo a paz, enquanto milhares de pessoas agitavam a bandeira egípcia fazendo um V da vitória com as mãos. Em seguida, um religioso cristão, Ihab Jarrat, leu através de alto falantes alguns salmos, concluídos com um "amém" geral.

Fonte: Globo.com

24.10.10

Cameron proíbe ministra muçulmana de assistir conferência islâmica

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, proibiu a única ministra muçulmana de seu governo, Sayeeda Warsi, de assistir a uma conferência islâmica realizada neste domingo em Londres, informa neste domingo o jornal "The Guardian".

Warsi, de origem paquistanesa, membro da Câmara dos Lordes e sem ministério, recebeu instruções de Cameron para não comparecer ao evento considerado a maior reunião multicultural realizada na Europa.

O objetivo da conferência é melhorar as relações entre as diversas comunidades, mas seus críticos assinalam que alguns dos oradores previstos justificaram publicamente os atentados suicidas e falaram em favor da Al Qaeda, homofobia e terrorismo.

Warsi, advogada e respeitada dentro da comunidade islâmica internacional, acredita que polemizar abertamente com os extremistas em atos públicos é a forma mais eficaz de enfrentar ao fundamentalismo do que negar-se a isso.


Fonte: Folha de São Paulo

10.10.10

Esplendor e diversidade da arte islâmica

10/10/2010 - 08h00
Esplendor e diversidade da arte islâmica
EUCLIDES SANTOS MENDES
DE SÃO PAULO

Com mais de 300 obras oriundas da Síria, do Irã e de instituições brasileiras, a exposição "Islã" (no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro de 12/10 a 26/12, em São Paulo de 18/1 a 27/3 e em Brasília de 26/4 a 10/7) cobre 13 séculos de história (do 8º ao 20).

Seu acervo (veja galeria) reúne peças de ourivesaria, mobiliário, tapeçaria, vestuário, armas, utensílios, mosaicos, cerâmicas, objetos de vidro, iluminuras, pinturas, caligrafia e instrumentos científicos e musicais, que testemunham a diversidade cultural do islã.

Em entrevista à Folha, o professor de árabe na USP Paulo Daniel Farah --curador, com Rodolfo Athayde, da exposição-- comenta algumas obras em destaque e salienta que "as identidades islâmicas são múltiplas, pois foram incorporadas e reelaboradas tradições de regiões fundamentais como a África, os países árabes (tanto africanos quanto asiáticos) e a Ásia em geral".

Folha - Por que a maioria das obras que compõem a exposição veio da Síria e do Irã?
Paulo Daniel Farah - A Síria abrigou a primeira dinastia islâmica, a Omíada (661-750), cuja sede era em Damasco, e possui muitas das primeiras e mais significativas obras de arte islâmicas. Por isso, a Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes [BibliASPA, instituição dirigida por Farah] vinha negociando uma exposição com Damasco havia quatro anos, e que se insere numa proposta de cooperação arqueológica que inclui missões brasileiras na Síria, publicação de artigos científicos e curso de arqueologia a ser oferecido a partir do próximo mês em São Paulo, na BibliASPA.

Essa negociação permitiu expor no Centro Cultural Banco do Brasil muitas obras que nunca saíram da Síria e que permitem ter uma visão bastante abarcante da sociedade muçulmana. Com o intuito de refletir a diversidade cultural islâmica, também se expõem obras de países como Irã, Marrocos, Mali, Mauritânia, Líbia, Líbano, Burkina Fasso, Níger, Nigéria e Brasil.

Quais são as peças em destaque?
Entre outras, uma pedra de basalto na qual se entalhou um texto, no século 8º, um dos principais vestígios da escrita árabe.

Uma parte da exposição é dedicada ao palácio do deserto Al Hayr Al Gharbi (séc. 8º, na Síria), do qual se expõem esculturas, estuques ornamentados, barreiras, adornos e outros objetos que permitem observar influências locais na arte islâmica e a percepção que mescla a crença na unidade de Deus e na inexistência de intermediários na relação com o divino. No islã, Deus é único, mas sua criação é múltipla. Tal multiplicidade, ordenada conforme leis que desvendam o Criador, reflete-se nos arabescos, nas composições geométricas e em sua miríade de formas. Trata-se da multiplicidade com base na unidade.

Também destacaria as obras da sala dedicada à caligrafia, uma arte islâmica por excelência, extremamente refinada. Em pedra, madeira, tecido, metal, papiro, pele de gazela, cerâmica e outros suportes, as obras caligráficas revelam uma diversidade notável de estilos. A adoção da caligrafia árabe em boa parte dos territórios entre o Atlântico e o Índico, suporte gráfico que também serviu como ornamento na arte, exerceu um fator de unificação impressionante no "Dár al-Islám", as terras de presença islâmica.

Qual é o papel histórico-cultural do islã na formação do Ocidente?
Durante o período contemporâneo à Idade Média europeia, os países da órbita islâmica aprimoravam diferentes áreas da ciência. Cidades como Bagdá, Damasco, Cairo, Córdoba, Fez e Samarcanda abrigaram grandes centros de estudos.

Para citar alguns nomes de grandes sábios que influenciaram a Europa e outras regiões, há que se mencionar Abu Ali al Hussain Ibn Sina (Avicena, 980-1037), autor de um "Cânone de Medicina" cuja tradução latina foi utilizada na Europa durante séculos, e Ibn Battuta (1304-68), erudito versado em exegese, retórica, lógica e direito que viajou em busca do conhecimento e reuniu em "Rihla - Obra-Prima das Contemplações sobre as Curiosidades das Civilizações e as Maravilhas das Peregrinações" um relato único sobre cidades como Mogadício, Mombaça, Damasco, Jerusalém, Meca, Kufa, Cairo e muitas outras.

A exposição apresenta instrumentos associados ao desenvolvimento científico, como astrolábios e quadrantes, que serviram, no contexto da astronomia islâmica, para corrigir tabelas astronômicas e de coordenadas geográficas e para calcular a obliquidade da eclíptica com uma precisão muito maior do que jamais se alcançara antes.

É possível recordar que o navegante Ibn Majid, que acompanhou o português Vasco da Gama em suas viagens, redigiu em 1489 um manual sobre a arte da navegação. E que matemáticos árabes introduziram na Europa os algarismos conhecidos como arábicos e o conceito do número zero (que veio do árabe "sifr"), fundamental para chegar aos números negativos. A trigonometria e a álgebra (de "aljabr", ciência árabe que traduz a ideia de "forçar cada termo a ocupar seu devido lugar") foram desenvolvidas, sobretudo, por adeptos do islã. Em 875, Muhammad al Khwarizmi (de onde veio o termo algarismo) utilizou uma letra para representar a incógnita; o uso do "x" vem de "shay" (coisa, em árabe).

No caso do Brasil, é fundamental recordar que muçulmanos organizaram o principal levante urbano contra a escravidão na América: a Revolta dos Malês, em 1835, em Salvador. Desde cedo, desenvolveram a noção de pertencimento à "umma", a comunidade islâmica, como se verifica na narrativa do imã Abdurrahman Al-Baghdádi, o primeiro relato de um erudito muçulmano acerca do Brasil (o texto é analisado em "Deleite do Estrangeiro em Tudo o Que É Espantoso e Maravilhoso - Estudo de um Relato de Viagem Bagdali"; Al-Baghdádi esteve no Brasil no século 19).

Como os povos islâmicos encaram a própria história e cultura?
O saber e a reflexão foram bastante valorizados desde a época do profeta Muhammad, a quem a primeira palavra revelada foi "lê" (iqra'). Entre os "ahadith", ditos atribuídos a Muhammad, há vários que incentivam a pesquisa, como "buscai o conhecimento ainda que na China" e "buscai o conhecimento do berço até o túmulo".

O Alcorão e os ensinamentos sobre a importância da investigação anunciavam uma atitude que estimularia distintas áreas do conhecimento e resultaria em inovações científicas notáveis.

Em Bagdá, a Casa da Sabedoria ("Bayt al-Hikma"), fundada em 830, liderou um grande projeto de tradução para o árabe que também contou com a ajuda de sábios cristãos e de outras religiões. Nesse local, produziu-se um conjunto significativo de literatura científica em língua árabe, com livros traduzidos e comentados do grego, sânscrito, siríaco e persa, entre outros, além de muitos tratados originais. Atualmente, a reflexão crítica continua a fazer-se presente em centros de pesquisa de países majoritariamente islâmicos.

Desde o princípio, os muçulmanos interagiram com muitas culturas e populações de religiões distintas. Assim, as identidades islâmicas são múltiplas, pois foram incorporadas e reelaboradas tradições de regiões fundamentais como a África, os países árabes (tanto africanos quanto asiáticos) e a Ásia em geral. Do Atlântico ao Índico, a presença muçulmana envolve reflexões e percepções variadas que refletem essa diversidade cultural.


Fonte: Folha de São Paulo