O blog onde você encontra notícias e curiosidades relacionadas ao Islã e os muçulmanos que raramente são divulgadas pela mídia
7.8.13
Sites islâmicos on-line novamente
Este Ramadã 2 sites islâmicos bem conhecidos e que ficaram algum tempo fora do ar voltaram, em novos endereços:
Ibn Khaldoun - o site da História Islâmica e Islamic Chat.
12.4.12
Inspirada na Disney, patinadora árabe é a 1ª a disputar torneio europeu no gelo
Hoje, aos 17, Zahra Lari será a primeira atleta árabe a participar de um torneio internacional da modalidade, a Copa Europeia, em Canazei, na Itália, de 9 a 14 de abril, competição que reúne atletas de 50 países.

Zahra Lari, 17, treina em arena de Abu Dhabi
"Eu vi um filme chamado 'Sonhos no Gelo', que era sobre uma menina nerd que fez um projeto sobre física usando a patinação no gelo como parte de seus estudos e que acaba se apaixonando pelo esporte", disse ela. "Vi o filme e amei. Sabia que era aquilo que eu queria fazer", completou. "Sonhos no Gelo" é um longa do estúdio da Walt Disney de 2005.
Lari teve (e tem) o apoio dos pais e passou a treinar em Abu Dhabi. A condição era que ela se mantivesse firme nos estudos e na religião.
"Treino seis dias por semana, antes de ir para a escola e depois. Levanto 4h30 da manhã, faço os exercícios no gelo e vou para a escola", conta. "A melhor parte é completar os saltos, mas é muito trabalho. A pior é quando tem que recomeçar após cair", completa.
A jovem árabe deixa claro ainda que há outros desafios. "Algumas pessoas acham que isto não é coisa de uma garota muçulmana ou uma garota árabe deveria fazer, mas as coisas têm mudado agora", disse. "Geralmente as mulheres têm apoio para a prática de esportes em Abu Dhabi."
A mãe, Roquiya Cohran, garante que ela e o marido apoiam a iniciativa da filha 100%. "A coisa mais importante é a educação. Ela se mantém firme na escola e quando chega em casa e termina as rezas, tem que fazer o dever escolar. Ela é muito boa aluna", garante.
Seu próximo passo é deixar a categoria juvenil e poder disputar uma Olimpíada de Inverno. A próxima será em 2014, na Rússia.
8.3.12
Frase para o Dia Internacional da Mulher
"A mulher foi feita da costela do homem. Não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual, debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada."
Profeta Muhammad
Que todos os homens tentem colocá-lo em prática não só no dia de hoje, mas todos os dias, inclusive alguns muçulmanos que andam esquecidos desse belo ensinamento do nosso profeta.
5.3.12
Jovem cientista
4.3.12
Fifa dá passo para liberar uso de véu islâmico
A International Board, órgão da Fifa que define e muda as regras do futebol, decidiu autorizar provisoriamente que jogadores usem o hijab, o véu islâmico, nos jogos.
Uma decisão final sobre o tema, porém, só será tomada em nova reunião da entidade, marcada para 2 de julho.
Na semana passada, o conselheiro especial da ONU para o esporte, Wilfried Lemke, enviou carta ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, pedindo que a entidade autorize o uso do hijab para as jogadoras que desejem vesti-lo.
A polêmica em torno do véu islâmico acontece desde o ano passado, quando a seleção feminina do Irã foi punida com derrota de 3 a 0 para a da Jordânia por disputar um jogo do Pré-Olímpico para Londres-2012 com um uniforme que incluía o hijab.
Fonte: Folha de São Paulo
29.2.12
ONU apoia uso do véu islâmico no futebol
O assessor especial da secretaria geral da ONU para esportes para o desenvolvimento e a paz, Wilfried Lemke, escreveu ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, manifestando seu apoio ao direito de usar um véu com uma abertura de velcro.
"Isso enviaria a mensagem de que toda jogadora, do mais alto nível de elite até as bases, têm o direito de decidir se usa ou não essa peça em especial do vestuário enquanto estiver no campo."

"Isso daria a oportunidade para que extraordinárias atletas do sexo feminino demonstrem que o uso do véu não é um obstáculo para se distinguir na vida e nos esportes, e, portanto, contribuiria para contestar os estereótipos de gênero e trazer uma mudança nas mentalidades."
Embora esportes olímpicos como o rúgbi e o taekwondo permitam que as mulheres muçulmanas usem o véu nas competições, o futebol opõe-se à medida por questões de segurança.
No ano passado, a seleção feminina de futebol do Irã foi impedida de jogar uma partida das eliminatórias para a Olimpíada de 2012 contra a Jordânia porque as jogadoras se recusaram a tirar seus hijabs.
O Irã, que liderou o grupo na primeira rodada das eliminatórias olímpicas sem perder nenhum um jogo, foi punido com derrota por 3 x 0 naquela partida, o que colocou fim ao sonho de ir para as Olimpíadas de Londres.
A decisão sobre a proibição será analisada pelo Conselho Internacional da Associação de Futebol, que vai se reunir na Inglaterra no próximo sábado.
Fonte: Folha de São Paulo
10.2.12
Freira vai à Justiça para poder usar véu em foto da CNH no PR
ESTELITA HASS CARAZZAI
DE CURITIBA
Uma freira de Cascavel (478 km de Curitiba) conseguiu na Justiça o direito de usar o véu na foto da carteira de motorista.
A decisão, emitida no final de janeiro, se baseia na Constituição Federal, que determina que "ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política".
A irmã Kelly Cristina Favaretto, 33, já havia feito sua primeira habilitação, em 2006, com o véu, mas foi impedida de usar o hábito quando tentou renovar a carteira, em agosto do ano passado.
O motivo, segundo o Detran-PR, foi uma resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), de 2006 --posterior à primeira habilitação de Favaretto--, que determina que o motorista não pode utilizar "óculos, bonés, gorros, chapéus ou qualquer outro item de vestuário que cubra parte do rosto ou da cabeça" na foto.
A irmã protestou e resolveu recorrer à Justiça. "Eu fui em busca dos meus direitos. [O véu] Não é um acessório. É um sinal de consagração e pertence a Deus. Sem ele, eu estaria infringindo a minha opção de vida."
Favaretto entrou para a Congregação das Pequenas Irmãs da Sagrada Família aos 18 anos e usa o véu desde os 27. Em seus outros documentos, a foto foi tirada sem o véu. "No RG, eu só tinha 15 anos", conta.
Na decisão de primeira instância, a irmã perdeu a causa, pois a juíza entendeu que a resolução do Contran não era ilegal e tinha como objetivo "a perfeita identificação do condutor". "Trata-se de perfeito respeito à Segurança Pública, [...] e é uma norma geral, de caráter nacional", escreveu a magistrada Vanessa de Lazzari Hoffmann.
Foi só no TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, em Porto Alegre, que a freira conseguiu reverter a decisão. O acórdão do TRF acolheu um parecer do Ministério Público Federal, que afirma que o uso do véu está relacionado à convicção religiosa da freira, protegida pela Constituição Federal.
"[A norma do Contran] Restringe uma liberdade religiosa para o fim de, supostamente, permitir a visibilidade do motorista e a segurança em geral", afirma o procurador Januário Paludo. "É uma exigência um tanto rigorosa. Se a freira está obrigada pela ordem a que pertence e por convicção própria a usar o véu, ela não é obrigada a retirá-lo."
A ação ainda precisa voltar à primeira instância para que, então, a Justiça permita à freira fazer a foto com o véu.
Favaretto pretende fazer sua nova carteira de habilitação "assim que tiver a decisão em mãos". Além dela, as outras 34 irmãs de sua congregação também foram beneficiadas com a sentença e poderão usar o véu na foto oficial quando sair a decisão final.
Fonte: Folha de São Paulo
Foto do Ano de 2011
1.9.11
Fim do Ramadã dá início a verdadeiro festival gastronômico
DE JERUSALÉM
Todos os olhares no mundo islâmico se voltaram para o céu no início desta semana, em busca do primeiro sinal da lua nova. A aparição indicou o fim do Ramadã, mês sagrado dos muçulmanos, e o início de uma verdadeiro festival gastronômico.
Embora o Ramadã gire em torno da leitura do Corão e do jejum diário, o mês é também fortemente marcado pelas iguarias do "iftar", o jantar que reúne as famílias para a quebra do jejum.
Jantar muçulmano para quebrar o jejum do Ramadã em hotel de Dhaka, em Bangladesh
Nos países muçulmanos, os dias de abstinência são uma corrida aos mercados, em busca dos ingredientes que estarão nas mesas do "iftar" e do "sohor", o café da manhã prévio ao jejum.
As receitas variam de acordo com os costumes de cada país. Em comum entre eles, a fartura das mesas, verdadeiros banquetes. Sobretudo no momento da sobremesa, quando a degustação de doces pode durar horas.
"Servimos os pratos típicos da cozinha árabe e adicionamos algumas tradições do Ramadã, como o suco de tamarindo, as tâmaras secas e os doces", diz Joseph Ghazzawi, gerente do hotel Ancars, em Ramallah, na Palestina.
No bufê montado sob uma tenda, que o gerente diz, orgulhoso, ser "a única de Ramallah", uma mesa com 11 diferentes pratos quentes, além de dez tipos de saladas. Entre eles, abobrinhas, maxixes e berinjelas recheadas com arroz e carneiro, arroz com açafrão e passas, quiabo com tomate, "cigarros" de folhas de uva com recheio de arroz e especiarias, e uma bandeja com misteriosos embrulhos de papel laminado.
Dentro, um delicioso pedaço de carneiro feito no vapor, macio a ponto de desmanchar-se na boca. As saladas são um mundo a parte, do humus (pasta de grão-de-bico), a vários tipos de coalhada e legumes em conserva.
CORRIDA
Depois de 15 horas em jejum, a corrida aos pratos é inevitável. Seis TVs ornamentam a tenda, alternado passagens do Corão e pegadinhas da televisão egípcia.
O jejum é em geral quebrado com algumas tâmaras secas ou suco de tamarindo. Em seguida, um caldo ralo com "friki", o trigo assado que é obrigatório nas mesas do Ramadã. Até os cristãos de Israel entram no clima.
"Não jejuamos, mas gostamos de ir a restaurantes no 'iftar' e participar da confraternização", diz Vera Juries, cristã de Jerusalém.
Na mesa das sobremesas, dez tipos de doces. Há desde os tradicionais "baklawa" (pastel de massa folhada) e "knafe" (massa fina com queijo), musses, tortas e massas fritas e "basbousa" (bolo com calda de rosas).
Durante um mês (que pode variar de 29 a 30 dias, segundo o calendário lunar) é proibido comer, beber, fumar e praticar sexo da alvorada até o pôr do sol. Isso às vezes significa café da manhã às 3h.
"Acordo, como e volto a dormir", diz Wael Alqarra, que trabalha em uma organização humanitária em Gaza. "É um grande café da manhã, só que no meio da noite", diz.
De Jerusalém a Teerã, a comida muda as cidades durante o período do Ramadã.
Patrícia Chiarello, que no início de agosto tornou-se a primeira diplomata brasileira a servir no Irã, ficou surpresa com o comércio de rua que surge no fim do jejum.
"Uma coisa curiosa é a aglomeração de pessoas em frente a restaurantes ou até pequenos quiosques que vendem sopa na cidade. De repente, é dada a largada e todos avançam para comer."
Fonte: Folha de São Paulo
6.2.11
Muçulmanos e cristãos oram juntos na Praça Tahrir, na capital do Egito

Egípcio ora prostrado sobre bandeira do país na Praça Tahrir, neste domingo (6); em seus óculos escuros, o crescente, símbolo do Islã, e a cruz, símbolo do cristianismo (Foto: Reuters)
Muçulmanos e cristãos egípcios rezaram juntos neste domingo (6) na emblemática Praça Tahrir, no centro do Cairo, ao mesmo tempo que governo e oposição pareciam esboçar um acordo para encerrar a crise política no país. A praça virou a fortaleza dos manifestantes que, durante 13 dias, exigiram a renúncia imediata do contestado presidente Hosni Mubarak.
Os muçulmanos realizaram primeiro sua prece diária do meio-dia, ajoelharam-se em direção a Meca, numa praça onde se produziu uma batalha campal na quarta-feira passada, quando milhares de partidários do presidente entraram em Tahrir para desalojar os opositores.
Depois, um grupo evangélico entoou duas canções, uma delas pedindo a paz, enquanto milhares de pessoas agitavam a bandeira egípcia fazendo um V da vitória com as mãos. Em seguida, um religioso cristão, Ihab Jarrat, leu através de alto falantes alguns salmos, concluídos com um "amém" geral.Fonte: Globo.com
24.10.10
Cameron proíbe ministra muçulmana de assistir conferência islâmica
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, proibiu a única ministra muçulmana de seu governo, Sayeeda Warsi, de assistir a uma conferência islâmica realizada neste domingo em Londres, informa neste domingo o jornal "The Guardian".
Warsi, de origem paquistanesa, membro da Câmara dos Lordes e sem ministério, recebeu instruções de Cameron para não comparecer ao evento considerado a maior reunião multicultural realizada na Europa.
O objetivo da conferência é melhorar as relações entre as diversas comunidades, mas seus críticos assinalam que alguns dos oradores previstos justificaram publicamente os atentados suicidas e falaram em favor da Al Qaeda, homofobia e terrorismo.
Warsi, advogada e respeitada dentro da comunidade islâmica internacional, acredita que polemizar abertamente com os extremistas em atos públicos é a forma mais eficaz de enfrentar ao fundamentalismo do que negar-se a isso.
Fonte: Folha de São Paulo
10.10.10
Esplendor e diversidade da arte islâmica
Esplendor e diversidade da arte islâmica
EUCLIDES SANTOS MENDES
DE SÃO PAULO
Com mais de 300 obras oriundas da Síria, do Irã e de instituições brasileiras, a exposição "Islã" (no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro de 12/10 a 26/12, em São Paulo de 18/1 a 27/3 e em Brasília de 26/4 a 10/7) cobre 13 séculos de história (do 8º ao 20).
Seu acervo (veja galeria) reúne peças de ourivesaria, mobiliário, tapeçaria, vestuário, armas, utensílios, mosaicos, cerâmicas, objetos de vidro, iluminuras, pinturas, caligrafia e instrumentos científicos e musicais, que testemunham a diversidade cultural do islã.
Em entrevista à Folha, o professor de árabe na USP Paulo Daniel Farah --curador, com Rodolfo Athayde, da exposição-- comenta algumas obras em destaque e salienta que "as identidades islâmicas são múltiplas, pois foram incorporadas e reelaboradas tradições de regiões fundamentais como a África, os países árabes (tanto africanos quanto asiáticos) e a Ásia em geral".
Folha - Por que a maioria das obras que compõem a exposição veio da Síria e do Irã?
Paulo Daniel Farah - A Síria abrigou a primeira dinastia islâmica, a Omíada (661-750), cuja sede era em Damasco, e possui muitas das primeiras e mais significativas obras de arte islâmicas. Por isso, a Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes [BibliASPA, instituição dirigida por Farah] vinha negociando uma exposição com Damasco havia quatro anos, e que se insere numa proposta de cooperação arqueológica que inclui missões brasileiras na Síria, publicação de artigos científicos e curso de arqueologia a ser oferecido a partir do próximo mês em São Paulo, na BibliASPA.
Essa negociação permitiu expor no Centro Cultural Banco do Brasil muitas obras que nunca saíram da Síria e que permitem ter uma visão bastante abarcante da sociedade muçulmana. Com o intuito de refletir a diversidade cultural islâmica, também se expõem obras de países como Irã, Marrocos, Mali, Mauritânia, Líbia, Líbano, Burkina Fasso, Níger, Nigéria e Brasil.
Quais são as peças em destaque?
Entre outras, uma pedra de basalto na qual se entalhou um texto, no século 8º, um dos principais vestígios da escrita árabe.
Uma parte da exposição é dedicada ao palácio do deserto Al Hayr Al Gharbi (séc. 8º, na Síria), do qual se expõem esculturas, estuques ornamentados, barreiras, adornos e outros objetos que permitem observar influências locais na arte islâmica e a percepção que mescla a crença na unidade de Deus e na inexistência de intermediários na relação com o divino. No islã, Deus é único, mas sua criação é múltipla. Tal multiplicidade, ordenada conforme leis que desvendam o Criador, reflete-se nos arabescos, nas composições geométricas e em sua miríade de formas. Trata-se da multiplicidade com base na unidade.
Também destacaria as obras da sala dedicada à caligrafia, uma arte islâmica por excelência, extremamente refinada. Em pedra, madeira, tecido, metal, papiro, pele de gazela, cerâmica e outros suportes, as obras caligráficas revelam uma diversidade notável de estilos. A adoção da caligrafia árabe em boa parte dos territórios entre o Atlântico e o Índico, suporte gráfico que também serviu como ornamento na arte, exerceu um fator de unificação impressionante no "Dár al-Islám", as terras de presença islâmica.
Qual é o papel histórico-cultural do islã na formação do Ocidente?
Durante o período contemporâneo à Idade Média europeia, os países da órbita islâmica aprimoravam diferentes áreas da ciência. Cidades como Bagdá, Damasco, Cairo, Córdoba, Fez e Samarcanda abrigaram grandes centros de estudos.
Para citar alguns nomes de grandes sábios que influenciaram a Europa e outras regiões, há que se mencionar Abu Ali al Hussain Ibn Sina (Avicena, 980-1037), autor de um "Cânone de Medicina" cuja tradução latina foi utilizada na Europa durante séculos, e Ibn Battuta (1304-68), erudito versado em exegese, retórica, lógica e direito que viajou em busca do conhecimento e reuniu em "Rihla - Obra-Prima das Contemplações sobre as Curiosidades das Civilizações e as Maravilhas das Peregrinações" um relato único sobre cidades como Mogadício, Mombaça, Damasco, Jerusalém, Meca, Kufa, Cairo e muitas outras.
A exposição apresenta instrumentos associados ao desenvolvimento científico, como astrolábios e quadrantes, que serviram, no contexto da astronomia islâmica, para corrigir tabelas astronômicas e de coordenadas geográficas e para calcular a obliquidade da eclíptica com uma precisão muito maior do que jamais se alcançara antes.
É possível recordar que o navegante Ibn Majid, que acompanhou o português Vasco da Gama em suas viagens, redigiu em 1489 um manual sobre a arte da navegação. E que matemáticos árabes introduziram na Europa os algarismos conhecidos como arábicos e o conceito do número zero (que veio do árabe "sifr"), fundamental para chegar aos números negativos. A trigonometria e a álgebra (de "aljabr", ciência árabe que traduz a ideia de "forçar cada termo a ocupar seu devido lugar") foram desenvolvidas, sobretudo, por adeptos do islã. Em 875, Muhammad al Khwarizmi (de onde veio o termo algarismo) utilizou uma letra para representar a incógnita; o uso do "x" vem de "shay" (coisa, em árabe).
No caso do Brasil, é fundamental recordar que muçulmanos organizaram o principal levante urbano contra a escravidão na América: a Revolta dos Malês, em 1835, em Salvador. Desde cedo, desenvolveram a noção de pertencimento à "umma", a comunidade islâmica, como se verifica na narrativa do imã Abdurrahman Al-Baghdádi, o primeiro relato de um erudito muçulmano acerca do Brasil (o texto é analisado em "Deleite do Estrangeiro em Tudo o Que É Espantoso e Maravilhoso - Estudo de um Relato de Viagem Bagdali"; Al-Baghdádi esteve no Brasil no século 19).
Como os povos islâmicos encaram a própria história e cultura?
O saber e a reflexão foram bastante valorizados desde a época do profeta Muhammad, a quem a primeira palavra revelada foi "lê" (iqra'). Entre os "ahadith", ditos atribuídos a Muhammad, há vários que incentivam a pesquisa, como "buscai o conhecimento ainda que na China" e "buscai o conhecimento do berço até o túmulo".
O Alcorão e os ensinamentos sobre a importância da investigação anunciavam uma atitude que estimularia distintas áreas do conhecimento e resultaria em inovações científicas notáveis.
Em Bagdá, a Casa da Sabedoria ("Bayt al-Hikma"), fundada em 830, liderou um grande projeto de tradução para o árabe que também contou com a ajuda de sábios cristãos e de outras religiões. Nesse local, produziu-se um conjunto significativo de literatura científica em língua árabe, com livros traduzidos e comentados do grego, sânscrito, siríaco e persa, entre outros, além de muitos tratados originais. Atualmente, a reflexão crítica continua a fazer-se presente em centros de pesquisa de países majoritariamente islâmicos.
Desde o princípio, os muçulmanos interagiram com muitas culturas e populações de religiões distintas. Assim, as identidades islâmicas são múltiplas, pois foram incorporadas e reelaboradas tradições de regiões fundamentais como a África, os países árabes (tanto africanos quanto asiáticos) e a Ásia em geral. Do Atlântico ao Índico, a presença muçulmana envolve reflexões e percepções variadas que refletem essa diversidade cultural.
Fonte: Folha de São Paulo
11.7.10
Obama presta homenagem às vítimas de massacre em Srebrenica
Ele exigiu, em nome do povo americano, a detenção do general servo-bósnio, Ratko Mladic, que passou à história como um dos culpados pela matança e pelo sangrento cerco a Sarajevo durante a guerra da Bósnia (1992-1995).
"Por ocasião do 15º aniversário do genocício de Srebrenica, e em nome dos Estados Unidos, somo minha voz à daqueles que lamentam a grande perda e refletem sobre a tragédia inimaginável," disse Obama.
"O horror de Srebrenica é uma mancha em nossa consciência coletiva," afirmou, numa declaração divulgada em Washington, mas também lida durante a cerimônia pelas vítimas no cemitério perto de Srebrenica.
Acusado de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade pelo TPI (Tribunal Penal Internacional) da extinta Iugoslávia em 1995, o general Mladic, de 66 anos, é objeto de um mandato de detenção internacional desde 1996.
Ele é acusado, também, de ter comandado os 44 meses de cerco a Sarajevo que matou 10.000 pessoas em julho de 1995 e do massacre de 8.000 muçulmanos, homens e crianças, em Srebrenica.
Mladic é considerado um dos principais artífices da política de "limpeza étnica" na Bósnia, junto com o ex-presidente servo-bósnio Radovan Karadzic.
VINGANÇA
Nascido em 12 março de 1943 na cidade de Bozinovici, leste da Bósnia, Mladic passou a infância traumatizado pela morte do pai, assassinado pelas milícias croatas pró-nazistas ("ustachis") quando ele tinha apenas dois anos.
O menino, que com o passar dos anos chegaria a general, desenvolveu à medida que crescia um imenso ódio contra os ustachis e os muçulmanos.
Ávido por vingança, converteu-se em defensor do povo sérvio, que considerava ameaçado de genocídio e condenado a desaparecer ante a entrada do Islã em território europeu, defendendo com capa e espada a idéia de uma "grande Sérvia".
Como líder das milícias separatistas sérvias na Croácia, em 1992, depois da proclamação da Republika Srpska na Bósnia, foi nomeado comandante das forças sérvias da Bósnia.
Amparando-se na máxima de que "as fronteiras sempre foram traçadas com sangue e os Estados, delimitados com túmulos", Mladic permaneceu imperturbável e sem piedade à frente do cerco de Sarajevo.
Em julho de 1995, as tropas sob as ordens do general se apoderaram do enclave muçulmano de Srebrenica, que estava teoricamente sob proteção das forças da ONU, e fizeram estragos.
No ano seguinte, por uma ordem de detenção internacional, Mladic foi destituído, tendo se entrincheirado em seu feudo de Han Pijesak, uma base militar próxima a Sarajevo, e dali se deslocou a Belgrado, onde desfrutou de uma vida aprazível até a queda no 2000 do regime de Slobodan Milosevic.
Seguiram-se anos de desmentidos oficiais sobre a estada do general na Sérvia até que, em 2005, um relatório dos serviços secretos de Belgrado revelou pela primeira vez que tinha se escondido até junho de 2002 em território sérvio graças à ajuda de oficiais que o encobriam.
Em círculos nacionalistas, ele era considerado um "herói".
Fonte: Folha de São Paulo
Vítimas são enterradas em cerimônia que marca 15 anos do massacre de Srebrenica
Centenas de vítimas do massacre de Srebrenica estão sendo enterradas neste domingo em uma cerimônia para marcar o aniversário de 15 anos da pior atrocidade na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Mais de sete mil homens e meninos muçulmanos da cidade foram mortos por forças sérvias da Bósnia aliadas ao então presidente sérvio Slobodan Milosevic em julho de 1995.
Os restos mortais de mais de 775 pessoas identificadas recentemente estão sendo enterrados no cemitério de Potocari, nos arredores da cidade, onde já estão quase quatro mil vítimas.
O presidente sérvio Boris Tadic participa da cerimônia, no que é considerado um gesto significativo.
SEGREGAÇÃO
Durante a guerra na Bósnia, Srebrenica foi designada protetorado da ONU, cuja segurança era mantida por tropas holandesas. Mas as forças sérvias da Bósnia passaram facilmente pelo Exército holandês.
A Corte Internacional de Justiça de Haia, na Holanda, qualifica o massacre em Srebrenica como genocídio.
Muitos sérvios na região, no entanto, rejeitam a forma como o massacre é relatado, segundo o correspondente da BBC em Srebrenica, Mark Lowen.
"O povo sérvio é retratado na mídia como tendo cometido genocídio, mas não foi assim", disse à BBC Mladen Grujicic, que trabalha para uma associação local que ajuda famílias de vítimas sérvias da guerra.
"Nenhum sérvio contesta que houve um crime em Srebrenica, mas eles ficam insultados quando os números são manipulados", disse ele, adicionando que as vítimas sérvias foram esquecidas.
Apesar das tentativas de superar o passado, Srebrenica continua segregada 15 anos após a tragédia, segundo o correspondente da BBC.
Marcando o aniversário do massacre, o primeiro-ministro britânico David Cameron disse que foi um "crime que envergonhou a Europa", apelando para que os responsáveis sejam punidos.
Em março, o Parlamento sérvio aprovou uma resolução pedindo desculpas pelo massacre, dizendo que o governo deveria ter feito mais para prevenir a tragédia.
Fonte: Folha de São Paulo
8.7.10
As oportunidades do mercado halal
O setor movimenta US$ 2,1 trilhões em todo o mundo e tem potencial para atingir mais de um bilhão de consumidores
Por Katia SimõesEspalhados pelos cinco continentes, existem hoje 1,8 bilhão de muçulmanos que consomem apenas alimentos e produtos industrializados preparados de acordo com as orientações da lei islâmica, os chamados halal. De olho nesse mercado, que movimenta US$ 2,1 trilhões no mundo (US$ 1 bilhão só no Brasil, segundo a Federação das Associações Muçulmanas), cerca de 300 empresas nacionais já exportam com o selo halal. “Mais do que preceitos religiosos, a certificação é garantia de qualidade de processos e de alimentos confiáveis, o que abre portas para novos negócios”, afirma Chaiboun Ibrahim Darviche, executivo do Serviço de Inspeção Islâmica, responsável pela habilitação de plantas industriais e empresas com foco no mercado halal.[...]
[...]“O Brasil é hoje o terceiro maior exportador de produtos halal do mundo, perdendo apenas para a China e os Estados Unidos”, diz Tarrass. Além disso, é um dos principais parceiros comerciais de vários países do Conselho de Cooperação do Golfo, entre eles Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã, Líbano e Jordânia, que só aceitam produtos certificados halal. No ano passado, exportou US$ 4,6 bilhões em produtos para esses países — boa parte desse valor em carne de frango. Segundo a Associação Brasileira de Empresas Exportadoras de Frango (Abef), 29 dos 33 frigoríficos associados fazem o abate halal. “As perspectivas para esse mercado são excelentes”, afirma Francisco Turra, presidente da Abef. “A população muçulmana tem uma taxa de natalidade superior à de outras religiões e o consumo de carne de frango por pessoa, em países como o Kuwait e os Emirados Árabes, supera 61 quilos per capita/ano. No Brasil, é de pouco mais de 40 quilos.”
Existe espaço para investir tanto no mercado interno como para exportar, dizem os especialistas. Para quem quer apostar no nicho, vale lembrar que o Oriente Médio concentra apenas 20% da população islâmica mundial. A maioria vive na Ásia (60%), e 300 milhões em países onde o islamismo não é a religião majoritária.
NOTA: A reportagem foi editada. Para lê-la na íntegra visite esse link da Pequenas Empresas Grandes Negócios.
23.5.10
A polêmica sobre o véu na Europa
Concordo em parte com esse ponto de vista. Se alguém acha que o país para onde imigrou é tão ruim a ponto de não querer pertencer à sua comunidade, não deveria ter migrado para ele. Já vi muito esse tipo de comportamento em imigrantes árabes que estão no Brasil e sempre me pergunto porque vieram para cá, em primeiro lugar. Mas o véu em si não impede integração alguma. É a própria postura da pessoa que a impede de se integrar a uma determinada comunidade.
Mas o que mais chama a minha atenção é que parece que as pessoas se esquecem que existem muitas muçulmanas convertidas, como é o meu caso, que usam o véu. O que fazer com elas? Elas não tem para "onde voltar" e não vieram de lugar nenhum. Nasceram e viveram em seu país de origem. O uso do véu é uma obrigação religiosa e não está delimitado por questões geográficas, mas o desconhecimento, muitas vezes incentivado pela mídia, gera esse tipo de desinformação.
O que fazer com uma francesa, alemã, belga, brasileira, etc., convertida que decidiu cobrir o rosto? Ela não é uma "estrangeira" e não abriu mão em momento algum de sua nacionalidade ao se converter ao Islã. Os "defensores da liberdade da mulher" estão negando a essas mulheres o direito de praticarem a religião que escolheram espontaneamente e cerceando seu direito de ir e vir para supostamente libertá-las. Não existe hipocrisia maior. Aceito sim, o argumento da segurança, mas existem meios de garantir a segurança sem precisar colocar uma mulher na prisão por estar vestida demais.
Outro argumento que vejo muito seria de que se uma ocidental vai a um país islâmico, ela tem que se cobrir. Primeiro, não é totalmente verdade. Com exceção da Arábia Saudita e Irã, nenhum outro país impede ocidentais de andarem descobertas nas ruas. No Egito e outros países da região existem praias onde as mulheres praticam topless. Acho um desrespeito da parte delas com a cultura local, mas elas fazem. Não é em qualquer praia, geralmente são praias localizadas nas áreas turísticas e, sabendo que lá encontrarão mulheres praticamente nuas, muitos egípcios deixam de frequentar essas praias. Ou seja, se privam em seu próprio país de frequentar um local de lazer. Então, pegar 2 ou 3 países como exemplo absoluto é desinformação ou má fé. E mesmo que esses 2 países proíbam mulheres de andarem descobertas, a situação não é a mesma.
Tomando o Brasil como referência, um país onde as mulheres vão à praia praticamente nuas, ainda assim existem limites aceitáveis para a exposição do corpo. Uma pessoa pode ser presa se decidir tirar em público aquele naquinho de pano que lhe cobre a genitália. Então, mesmo um país em que a exposição do corpo é a norma, tem direito de estabelecer limites de acordo com o que é aceitável para a sua cultura.
Não uso o véu cobrindo o rosto, mas existem convertidas que usam. Não o considero obrigatório e, particularmente, acho que decidir cobrir o rosto só dificulta a situação das muçulmanas que querem obedecer esse mandamento religioso, gerando o que acontece agora na Europa: uma aversão ao uso do hijab como um todo. Cobrir o cabelo no Brasil já requer um alto grau de determinação e costuma criar barreiras no trabalho, barreiras que precisam ser vencidas com muita criatividade.
Não ficaria em um emprego que me impedisse de usar o hijab e, por isso, desde que me converti não trabalho para ninguém. Sou autônoma. Acho que a justificativa do trabalho para não usar o hijab é meio fraca, mas cada uma sabe de si. O ponto é que as muçulmanas parecem ter ficado entre dois extremos: não usar o hijab ou cobrir tudo, inclusive o rosto.
O meio termo, ainda mais se ele é a opinião predominante do ponto de vista religioso, é sempre a melhor alternativa, mas adotar o meio termo também vale para os supostos "defensores da liberdade e dignidade da mulher."
Diferenças entre os tipos de véus islâmicos
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Veja as diferenças entre os véus islâmicos
FonteDE SÃO PAULO
O véu islâmico está no centro de uma polêmica na Europa. O Corão, livro sagrado do islamismo, determina que a mulher cubra o corpo e a cabeça no momento das orações, e quando estiver em meio a homens que não sejam seus parentes.
O texto, contudo, permite diferentes interpretações de o quanto a mulher pode mostrar do rosto e do corpo.
Entenda a diferença entre os véus:
26.4.09
Ser muçulmano está na moda
INOVADORMelih Kesmen decidiu protestar contra as caricaturas do profeta Maomé e contra as manifestações violentas
Melih Kesmen é um muçulmano de 33 anos que trabalha como designer na pequena cidade de Witten, na Alemanha. Ao contrário de 87% dos 3,2 milhões de seguidores do Islã que vivem no país, Kesmen nasceu na Alemanha, e se considera um “muçulmano europeu”. Em 2005, quando morava em Londres, foi um dos milhões de muçulmanos que sentiu ofendido com as caricaturas de Maomé publicadas pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten. A reprodução do profeta é proibida no Islã, e a publicação, repetida por diversos outros jornais europeus, serviu para acirrar ainda mais a conturbada convivência do mundo ocidental com os muçulmanos. Kesmen, abalado tanto pela publicação das imagens quanto pelas violentas reações do outro lado do mundo, decidiu protestar. E hoje a manifestação se tornou a grife StyleIslam, que vem conquistando cada vez mais os jovens muçulmanos europeus, como Kesmen, com mensagens pacíficas.

À esquerda, a ideia que deu origem à grife: "eu amo meu profeta". À direita, uma defesa do "hijab", o véu muçulmano que causa polêmica na Europa: "Hijab, meu direito, minha escolha, minha vida"




