20.4.04

Deputados brasileiros vão se encontrar amanhã com Arafat

[19/04 - 18:31]

Eles também vão participar, em Ramallah, de audiências com o primeiro ministro palestino, Ahmed Qorei, e com o presidente do parlamento local, Rouhi Fatouh. O objetivo é dar apoio à causa palestina e ao restabelecimento da paz.

Alexandre Rocha

São Paulo - O grupo de deputados brasileiros da Liga Parlamentar Brasil-Árabe que está em Rammallah, na Palestina, para verificar a situação da população local e procurar dar apoio ao processo de paz na região, vai se encontrar amanhã (20) com o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, com o primeiro ministro, Ahmed Qorei, e com o presidente do Conselho Legislativo Palestino (parlamento), Rouhi Fatouh.

"Nós vamos transmitir nossa solidariedade e apoio à causa palestina, à criação de um estado palestino independente, ao respeito aos direitos do povo local e ao restabelecimento da paz", disse por telefone à ANBA o deputado Jamil Murad (PcdoB-SP), secretário-geral da Liga Parlamentar Brasil-Árabe e líder da missão.

Além disso, eles vão apresentar a Fatouh um convite do presidente da Câmara do Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), para que ele visite o Brasil.

Para contribuir com o processo de paz entre palestinos e israelenses, os deputados querem que o governo brasileiro intervenha junto à Organização das Nações Unidas (ONU) para que a entidade envie uma "força de separação", com o objetivo de "desarmar os espíritos" e pacificar a região.

Os deputados, que chegaram sábado (17) ao Oriente Médio, já se encontraram com colegas parlamentares de Rammallah, Jerusalém e Belém.

"Eles nos disseram como enxergam a situação do povo palestino, quais sãos os dramas que estão vivendo e que têm esperanças de que o Brasil atue junto à ONU para que a organização jogue um papel mais decisivo na questão", declarou Murad. "Nesse contato nós sentimos que todos eles defendem a paz, não querem o confronto, mas a garantia dos direitos para os dois povos (palestinos e israelenses)", acrescentou.

Hoje o Itamaraty anunciou a indicação do atual embaixador brasileiro em Pequim (China), Affonso Celso de Ouro-Preto, para ocupar o cargo de embaixador extraordinário para o Oriente Médio. O objetivo da criação da nova representação é justamente "participar mais ativamente" do processo de paz na região.

"É preciso tomar medidas para que os palestinos sejam colocados na posição que merecem, de um povo civilizado, que tem grande importância histórica e que precisa de respeito", afirmou Murad. De acordo com ele, isso não vai beneficiar apenas os habitantes da região, "mas todo mundo". "Porque a paz e a justiça inspiram bons sentimentos", concluiu.

Além de Murad, fazem parte da missão os deputados Nilson Mourão (PT-AC), Leonardo Mattos (PTB-SE) e Vanessa Graziotin (PPS-MG). Eles estão sendo acompanhados pelo embaixador do Brasil em Tel Aviv (Israel), Sérgio Eduardo Moreira Lima, e pelo embaixador da Autoridade Palestina em Brasília, Musa Amer Odeh.

Fonte: ANBA

Parlamentares brasileiros vão à Palestina dar sua contribuição ao processo de paz

[15/04 - 07:00]
Deputados da Liga Parlamentar Brasil-Árabe chegam neste sábado a Rammallah para reunião com Yasser Arafat e Hamad Qureï, respectivamente presidente e primeiro-ministro da Autoridade Palestina. Eles querem chamar a atenção dos líderes mundiais para a necessidade de uma solução negociada para os conflitos na região.

Paula Quental

São Paulo - Um grupo de cinco parlamentares brasileiros chega neste sábado (17) em Rammallah, Palestina, para encontrar-se com Yasser Arafat e Hamad Qureï, presidente e primeiro-ministro da Autoridade Palestina. Um dos objetivos da visita, de acordo com o deputado Jamil Murad (PC do B-SP), idealizador da comitiva, é influir na Corte Internacional de Haia "no sentido de condenar e solicitar a destruição do muro" construído por Israel para isolar os territórios ocupados.

Os deputados federais brasileiros, que serão acompanhados pelo embaixador da Autoridade Palestina no Brasil, Musa Amer Odeh, e pelo presidente da Confederação Palestina da América Latina e Caribe, Farid Suwwan, pretendem visitar o muro e verificar a situação do povo palestino que vive no local.

Segundo Murad, que tem o cargo de secretário-geral da Liga Parlamentar Brasil-Árabe, a ação do Legislativo brasileiro é uma forma de chamar a atenção das autoridades mundiais para a necessidade de uma solução negociada para os conflitos na região. "Defendemos que a ONU (Organização das Nações Unidas) jogue o seu papel, intervindo, independentemente da posição dos Estados Unidos, para dar condições de respeito e auto-defesa ao povo palestino", declarou à ANBA.

Outros países, como Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Bélgica, França e Grã-Bretanha, já enviaram comitivas parlamentares à Cisjordânia com a disposição de ajudar no processo de paz. O Brasil, porém, reúne condições especiais para ser um dos líderes nessa negociação, condições essas que têm origem nas próprias raízes do povo brasileiro, acredita Murad: "Somos formados por índios, portugueses, árabes, judeus, europeus, latino-americanos; temos liberdade de religião e a discriminação por raça é punida por lei. Há entre nós a cultura do respeito às diferenças".

Ele lembra que o país tem tradição diplomática de defesa da paz. "Foi assim, por exemplo, durante a Segunda Guerra, quando o Brasil participou lutando pela paz". Além disso, o país dirigiu a histórica assembléia da ONU de 1947 que decidiu por dividir as terras palestinas em duas partes, criando o Estado de Israel, o que, na opinião do deputado, aumenta a sua responsabilidade no processo. "Temos a obrigação de apoiar a consolidação da Palestina, pois apenas o Estado de Israel foi criado".

Momento crítico

De acordo com Jamil Murad, a visita dos brasileiros à Palestina se dá num momento especialmente crítico na relação entre os dois povos, quando o governo israelense declara a intenção de matar os líderes palestinos, incluindo o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat.

"Esta afirmação, feita por autoridades israelenses, mostra que estamos diante de uma situação delicadíssima, um verdadeiro barril de pólvora", disse o deputado.

A temperatura ficou ainda mais alta e o acordo de paz ainda mais distante com o apoio dado ontem (14) pelo presidente norte-americano, George W. Bush, ao plano do premier israelense, Ariel Sharon, de garantir que Israel possa manter algumas colônias de judeus na Cisjordânia e não precise receber refugiados palestinos. O acordo anterior era de que os israelenses deixassem todo o território da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, além de abrigar os que fugiram da região após a formação de Israel.

Segundo disse à ANBA o embaixador da Autoridade Palestina no Brasil, Musa Amer Odeh, o apoio de Bush aos planos de Sharon "torna ainda mais importante a viagem da delegação de parlamentares brasileiros nesse momento".

Escritório comercial

Outra ação pró-Causa Palestina dos parlamentares brasileiros foi a coleta de mais de 300 assinaturas de senadores e deputados de todos os partidos para um abaixo-assinado entregue ao ministro das Relações Exteriores embaixador Celso Amorim. O documento pede o posicionamento firme do governo brasileiro contra a construção do muro israelense em terras palestinas.

A visita à Palestina, na opinião de Jamil Murad, terá ainda a função de ajudar na concretização do projeto já anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de abrir um escritório comercial do Brasil na cidade de Rammallah. "Não conheço os últimos passos do projeto, mas com certeza nossa ida para lá vai dar uma contribuição para a sua concretização".

Os parlamentares brasileiros vão também se reunir com o presidente do Conselho Legislativo da Palestina Rouhi Fatouh e visitarão outras cidades atingidas pelos conflitos, como Hebron, Jericó, Nabloz e Belém. Um esquema especial de segurança será montado pelas autoridades palestinas para acompanhar os deputados.

Além de Murad, fazem parte do grupo parlamentar brasileiro Nilson Mourão (PT-AC), Geraldo Tadeu (PTB-SE), Leonardo Mattos (PV- MG) e Vanessa Graziotin (PPS-MG). O grupo deixará o Rio de Janeiro na sexta-feira (16) às 10h20 da manhã com destino a Amã, capital da Jordânia, e de lá segue para Ramallah. A volta é prevista para 24 de abril.

Fonte: ANBA

1.4.04

O CAIR Condena a Mutilação de Corpos no Iraque

(WASHINGTON, D.C., 3/31/04) - O Conselho para Relações Islâmico-Americanas (CAIR em inglês) condenou hoje a mutilação daqueles mortos no Iraque na quarta-feira.

Quatro empreiteiros civis americanos foram emboscados em suas vans, queimados, mutilados, arrastados pelas ruas e depois pendurados em uma ponte sobre o Rio Eufrates, de acordo com os relatos de noticiários.

O CAIR disse que as mutilações violam tanto as normas islâmicas quanto internacionais de conduta durante tempos de guerra, e conclamou todas as partes do conflito a respeitar a santidade dos mortos e as sensibilidades de seus familiares.

O grupo islâmico de direitos civis baseado em Washington citou uma tradição do Profeta Muhammad (saws) que proíbe a mutilação de corpos (Hadith 654.3).

Em outra tradição, o Profeta (saws) disse, “Não matem mulheres ou crianças ou pessoas idosas. Não cortem as árvores frutíferas. Não destruam as cidades.” (Al-Muwatta, Vol. 21, Hadith 9)

O CAIR, o maior grupo islâmico de direitos civis da América está baseado em Washington e tem 21 escritórios regionais em todo o país e no Canadá.


CAIR

Diplomata Checheno Descreve Genocídio

Mais de 308.000 civis chechenos foram mortos na luta separatista que já dura uma década.

Em uma entrevista exclusiva com a Aljazeera.net o ministro do exterior no exílio disse que mais de 28% da população morreu em um país que tinha uma população de apenas um milhão.

Usman Ferzaouli acrescentou que era difícil compreender o silêncio do mundo sobre “um genocídio que matou mais de um quarto de todo o povo checheno.”

“Stalin pode ter sido brutal, mas pelo menos ele não nos matou como as 150.000 tropas russas atualmente estacionadas na Chechênia – “policiando” uma nação de menos de 710.000.”

Ferzaouli fez o seu comentário no começo de uma visita de dois dias ao Qatar.

Seu primeiro dever oficial era apresentar os seus respeitos à viúva de Salim Khan Yandarbiyev – o ex-presidente checheno que morreu em fevereiro quando uma bomba explodiu o seu carro depois da oração de sexta-feira.

A viúva de Yandarbiyev, Malika, disse à Aljazeera.net que o assassinato público do seu marido pela Rússia deve soar os alarmes na Europa.

“Se os russos podem fazer isso no Qatar, então eles certamente o Reino Unido e a Dinamarca devem considerar a possibilidade de carros explosivos matando representantes chechenos nas ruas de Londres e Copenhagen.

“O único ‘crime’ do meu marido foi não abrir mão da independência total. Ele nunca concordou qualquer forma de terrorismo – especialmente os ataques em Moscou – mas suportou uma luta legítima contra um poder colonial.”

Malika condenou a classificaçã de Moscou da luta chechena como ‘terrorismo’ – destacando que o exército russo matou milhares de mulheres e crianças.

Depois de visitar o túmulo de Yandarbiyev, o ministro do exterior disse que apreciava a forma como o Qatar estava lidando com o assassinato e que estava confiante de que a justiça seria feita.

Ele disse que conhecia o ex-presidente checheno por mais de 15 anos e que sempre foi “impressionado com sua integridade e visão.”

“Yandarbiyev era um grande homem. Ele era provavelmente a principal personalidade impulsionando a independência chechena.

“Embora ele não tenha dado entrevistas públicas no ano anterior à sua morte – seu único crime foi expressar a sua opinião de que o nosso país deveria ser livre.”

“Nas poucas missões diplomáticas nas quais ele se envolveu nos últimos três anos, a sua única mensagem para os países islâmicos e ocidentais foi ‘se vocês não nos ajudarem, pelo menos não sejam contra nós’”.

Leia a notícia na íntegra em inglês

Injustiça no Afeganistão

Sobre pressão da Suprema Corte e muitos governos estrangeiros, a administração Bush começou a andar na direção de rever processos dos prisioneiros mantidos na Base Naval de Guantánamo, em Cuba.

O relatório de 60 páginas sobre as práticas americanas no Afeganistão durante os últimos dois anos detalha questionável ou possivelmente comportamento criminal por parte do pessoal americano, incluindo o uso de força excessiva durante as prisões e mau tratamento sistemático de alguns detentos. Isso demonstra que os interrogadores americanos usaram práticas, tais como acorrentamento prolongado e privação do sono, que o relatório anual de direitos humanos do Departamento de Estado descreve como tortura quando são usados por outros países. Talvez o mais preocupante seja o número de civis afegãos sendo mantidos por períodos de até um ano ou mais sem acusação, “virtualmente incomunicáveis sem qualquer base legal para questionar a sua detenção ou obter a sua soltura.” Nenhuma acusação foi apresentada contra qualquer dos prisioneiros.

“Falando de forma simples,” o relatório conclui, “os Estados Unidos estão agindo fora da norma da lei.”

Leia a notícia na íntegra em inglês

Aliados afegãos dos EUA cometeram massacre

Especialistas americanos descobriram que os senhores da guerra da Aliança do Norte assassinaram prisioneiros de guerra. A dramática corroboração do masssacre de prisioneiros afegãos pela Aliança do Norte apoiada pelos EUA no começo da guerra em 2001 foi fornecida pelos patologistas americanos convocados para investigar as alegações pelas Nações Unidas.

O antropólogo William Haglund, que anteriormente liderou investigações em covas coletivas na Bósnia, Ruanda, Sri Lanka e Serra Leone, cavou em uma área no deserto fora da cidade de Shebargan, e exumou 15 corpos, uma pequena amostra, disse ele, do que pode ser um grande total.

Graças ao clima frio e árido, eles foram preservados bem o suficiente para que fossem feitas autópsias. A conclusão de Hanglund de que ‘eles morreram sufocados’ corrobora as estórias contadas pelos detentos de Guantánamo semana passada ao Observer.

‘Eles são os primeiros sobreviventes a descrever o que realmente se acredita ter acontecido às vítimas que descobrimos,’ disse Hanglund. ‘A equipe veio para uma investigação completa, sob a proteção da comunidade internacional.’

Asif Iqbal, Shafiq Rasul e Ruhal Ahmed disseram em suas entrevistas como foram capturados pelas forças da Aliança do Norte lideradas pelo general Abdurrashid Dostum em novembro de 2001, enquanto tentavam fugir da guerra no Afeganistão.

Em Shebargan eles foram colocados em dois de vários conteineres. Então Iqbal disse que as portas foram fechadas. Ele e os outros perderam a consciência e quando acordou ele estava ‘deitado sobre corpos, respirando o odor de seu sangue e urina’.

‘Nós sobrevivemos porque alguém fez buracos com a metralhadora. Quando nós saímos, uns 20 em cada conteiner continuavam vivos.’

Haglund visitou as covas coletivas em Shebargan duas vezes em 2002 que identificou dezenas de covas coletivas no norte do Afeganistão, muitas contendo os restos de prisioneiros mortos pelas forças dos senhores da guerra apoiadas pela Inglaterra e EUA.

A equipe também inspecionou a prisão da Aliança do Norte em Shebargan em janeiro de 2002. “Haviam aproximadamente 3.000 sendo mantidos em condições esquálidas sob o controle de Dostum,’ disse Heffernan.

Leia a notícia na íntegra em inglês

22.3.04

Várias Condenações ao Assassinato do Sheikh Yassin

O CAIR Condena o Assassinato por Israel de Líder Religioso

Grupo islâmico de direitos civis diz que Israel engajou em “terrorismo de estado”

(WASHINGTON, D.C., 3/22/04) – O Conselho para Relações Islâmico-Americanas (CAIR) condenou hoje o assassinato do líder religioso islâmico palestino em cadeira de rodas, chamando-o de um ato de “terrorismo de estado.”

Israel matou Sheikh Ahmed Yassin, um tetraplégico de 67 anos e a figura islâmica palestina mais proeminente, em um ataque com mísseis fora da mesquita da cidade de Gaza na segunda-feira.

Em sua declaração o CAIR disse:

“Nós condenamos essa violação da lei internacional como um ato de terrorismo de estado pelo governo fora de controle de Ariel Sharon. O assassinato extra-judicial por Israel de um líder religioso islâmico só pode servir para perpetuar o ciclo de violência em toda a região. A comunidade internacional deve agora adotar atitudes concretas para ajudar a proteger o povo palestino contra a violência arbitrária israelense.

“Nós conclamamos os EUA a se unir a seus aliados na condenação desse assassinato político e fazer com que essa condenação tenha significado cortando o fluxo dos dólares dos contribuintes americanos para Israel. São esses dólares que pagam pelas armas que Israel usa para levar adiante tais ataques ilegais.

“Até que Israel veja os palestinos como seres humanos e não apenas como animais a serem abatidos durante a “temporada de caça”(*), não haverá uma solução viável e justa para o conflito do Oriente Médio.”

(* Semana passada um alto oficial de segurança israelense disse que “a temporada de caça tinha começado,” em referência aos assassinatos de palestinos.)

O CAIR, o maior grupo islâmico de direitos civis da América também reiterou sua longa condenação a todos os atos de terrorismo, sejam perpetrados por indivíduos, grupos ou estados.

CAIR


Forças de Ocupação Israelenses Assassinam o Sheikh Ahmed Yassin

Centro Palestino para os Direitos Humanos – 22 de Março de 2004

Em um ato de terrorismo de estado as forças de ocupação israelense assassinaram o Sheikh Ahmed Yassin, 66, fundador e líder político do Movimento Islâmico de Resistência (Hamas), imediatamente após ele ter deixado a mesquita depois de ter terminado a oração da alvorada. Além do Sheikh Yassin, 7 civis palestinos, incluindo 3 dos guarda-costas do Sheikh Yassin, foram mortos, e 17 outros feridos, incluindo dois dos filhos de Sheikh Yassin. Esse ato ilegal e beligerante é uma implementação das ameaças das autoridades israelenses de assassinarem o Sheikh Yassin, que foram recentemente articuladas por políticos e militares israelenses.

A mídia israelense relatou após o incidente que fontes oficiais israelenses anunciaram que o assassinato foi aprovado pelo governo israelense e que o Primeiro-Ministro Ariel Sharon tinha pessoalmente supervisionado o ataque.


Palestinian Centre for Human Rights


Comunicado à Imprensa do Gush Shalom - 22 de Março de 2004

O assassinato do Sheikh Ahmad Yassin, com a concomitante matança de transeuntes, é um ato provocativo louco por um governo que perdeu todo o seu limite. É um ato de um bombeiro piromaníaco cujo método de apagar o fogo do terrorismo é jogar barris de gasolina sobre ele, um ato que pode custar a vida de dúzias ou centenas de cidadãos israelenses no futuro próximo.

A conversa do Primeiro-Ministro Sharon de “sair de Gaza”, que tomou conta das manchetes nos últimos meses, se revela agora não ser nada mais do que tagarelice. Longe de seriamente pretender evacuar um mínimo do território ocupado, esse primeiro-ministro falido – confrontado com investigações policiais em uma miríade de corrupção referente a ele e seus filhos – parece determinado a deixar para o seu país o legado da guerra eterna com os palestinos e o mundo árabe e muçulmano inteiro.

Cada dia que esse homem permanece no poder representa um perigo grave para o futuro dos israelenses e palestinos. Gush Shalom, o Bloco da Paz Israelense, conclama a todas as forças sãs e responsáveis remanecentes na comunidade internacional a intervir, urgente e forçosamente, para salvar nossa região do topo do abismo e parar o ciclo monstruoso de banho de sangue que agora ameça nos engolir.

Gush Shalom


MCB Condena o Assassinato Terrorista por Israel do Sheikh Ahmed Yassin – Conselho Islâmico Britânico

O Conselho Islâmico Britânico (MCB em inglês) condena nos mais fortes termos o assassinato criminoso por Israel do sheikh Ahmed Yassin.

“Esse ato hediondo de terrorismo de estado contra um homem inválido quando ele estava deixando a mesquita depois das orações da alvorada está empurrando a região inteira para ainda mais próximo do abismo da violência descontrolada, e precisa ser detido,” disse Iqbal Sacranie, secretário-geral do MCB.

“Nós consideramos a comunidade internacional e os EUA diretamente responsáveis por permitirem as Forças de Ocupação Israelenses a continuar ocm sua política de matança e aterrorização dos civis palestinos. Nenhuma quantidade de força militar e assassinatos trará uma solução final para o “problema palestino,” acrescentou Iqbal Sacranie.

Nossas orações sinceras e condolências vão para o povo palestino em sua luta para viver em paz, com dignidade e liberdade em sua própria terra.

The Muslim Council of Britain Boardman House 64 Broadway Stratford London E15 1NT Tel: 020 8432 0585/6 Fax: 020 8432 0587
E-mail: admin@mcb.org.uk

Assassinato Puro e Simples

A intenção real do assassinato do sheikh Ahmed Yassin é idêntico ao estratagema da liberação de Sharon: bloquear qualquer oportunidade significativa para a retomada dos esforços na direção de negociações genuínas. O objetivo é o assassinato de qualquer chance de paz.

A política de assassinatos era imoral e ilegal em primeiro lugar. Não tinha nada a ver com a prevenção do terror. A intenção real dos assassinatos era legitimar o emprego do assassinato político como um instrumento na execução dos crimes contra o povo palestino, da punição coletiva ao politicídio – a negação de seus direitos nacionais. No contexto presente, esses também são crimes contra o povo de Israel.

Sharon optou por incluir a política de assassinatos como arma para defender sua autoridade enfraquecida. Sua coalisão está se desmoronando, seus ministros abertamente o desafiam, o seu partido está em desordem. E o mais importante: o seu prestígio com o público está em estado de desintegração.

Algumas semanas atrás ele teve apoio maciço do público que acreditou que ele estava tentando nos tirar da bagunça atual. Mas ele também desperdiçou esse último vestígio de prestígio pela sua estranha inconsistência e recusa em dizer o que ele estava fazendo exatamente. Ser aventureiro sempre foi natural para Sharon, e ele continua se sentindo mais confortável em trajes de guerra. Assim nós descobrimos que o envelhecido general, frustrado e mais isolado, dirigiu pessoalmente o ataque de helicóptero “heróico” sobre um comboio civil de um líder religioso em seu caminho para a adoração.

Existe método nessa loucura. Se um ato foi designado para aprofundar a hostilidade do mundo árabe e muçulmano contra Israel, seu povo e seus aliados, foi esse. Sharon está apostando o futuro de Israel no confronto entre civilizações. Sua esperança para a sobrevivência de Israel está espetada nas bandeiras do tipo de Cristandade de George Bush e sua batalha contra o mundo árabe e muçulmano.

A aliança Bush-Sharon irá regar a presente tempestade. Os dois precisam um do outro em sua hora de adversidade. Ainda assim, o presente namoro de Sharon com o assassinato político pode causar problemas em Washington, onde coisas desse tipo são despachadas para departamentos adequados de truques sujos. Nas capitais desse mundo, líderes usualmente não se gabam de matar outros líderes.

Jerusalém

22 de Março de 2004
Reuven Kaminer (ativista israelense e escritor)
E-mail: mssourk@mscc.huji.ac.il

Nota da WAMY condenando o assassinato do Sheikh Ahmad Yassin

EM NOME DE DEUS, O CLEMENTE, O MISERICORDIOSO


Louvado seja Deus, O mais Justo dos justos, que criou a humanidade, lhe deu o Livre-Arbítrio e ordenou que ela fosse obediente a Ele, para que pudesse viver em paz e harmonia.

A Comunidade Islâmica está de luto pelo assassinato do Sheikh Ahmad Yassin, praticado pelo Governo de Ariel Sharon enquanto saia de uma mesquita, onde havia realizado a oração da alvorada, atingido por mísseis disparados por um helicóptero.

Acreditamos que desta forma, esse ato inconseqüente de Ariel Sharon e de seus apoiadores coloca o povo na região num perigo maior, forçando-os a viverem inseguros e aterrorizados, como ajuda a aumentar, também a escalada da violência na região, já que houve juramentos de vingança por parte dos palestinos.

Não acreditamos que dessa forma, Ariel Sharon irá estabelecer a segurança para o seu povo, prolongando o genocídio do povo palestino e seus líderes.

Condenamos esse assassinato, como responsabilizamos Ariel Sharon, seu Governo e todos os seus apoiadores, por ele, já que é sabido que na campanha eleitoral e nos últimos meses ele prometia esses atos terroristas, como também era de conhecimento geral seu histórico de violência contra vidas inocentes de crianças, mulheres e idosos.

Acreditamos que o único caminho para a paz e segurança para todos é a justiça, dar a cada qual o seu devido direito, valores imutáveis do Islam e de seus seguidores.

Sheikh Ali Abdouni
Sheikh Jihad Hassan
Representantes da Comunidade Islâmica no Brasil
WAMY

16.3.04

Muçulmanos Condenam Fortemente Explosões em Madri


Uma multidão saiu em passeata na Espanha, protestando contra os atentados

MADRI, Março 13 (IslamOnline.net & News Agencies) - Os Muçulmanos do mundo inteiro condenaram as explosões em Madri, deixando claro que a matança de civis é proibida em sua religião, independentemente de onde ou de quem cometa os ataques.

Depois das explosões, que deixaram 200 pessoas mortas e 1.400 feridas, um populoso grupo de Muçulmanos se juntou do lado de fora do Centro Cultural Islâmico na capital espanhola para levantar fortemente suas vozes contra o terrorismo.

"Estas explosões não foram apenas contra a religião Islâmica mas também contra a humanidade inteira", disse aos repórteres o Diretor do centro Cultural Islâmico em Madri, Saleh bin Mohammed Al Sinaidi ,na sexta-feira, 12 de Março.

"Nós lamentamos profundamente que tais incidentes tenham atingido nossa cidade, onde também vivem Muçulmanos", disse Al Sinaidi , através de um intérprete.

Os oficiais do Centro mandaram uma carta de condolências às famílias das vítimas das explosões, as piores que atingiram a Europa em anos, nas quais 10 bombas explodiram através de vagões de trens lotados e três estações ferroviárias no sudeste da capital.

Eles também pediram às autoridades espanholas que intensificassem os esforços para apanhar os perpetradores dos ataques, que levaram mais de 11 milhões de pessoas às ruas da Espanha em uma mostra sem precedentes de tristeza e fúria.

A confusão reinou no que se refere a culpar o grupo separatista basco ETA ou a rede al-Qaeda, para a qual um grupo reclamou a responsabilidade, através de um e-mail inverificável.

Analistas claramente continuam apontando um dedo acusatório para os separatistas do ETA, dizendo que uma "pista" vã seria mais uma distração e que à evidência falta credibilidade.

O governo de Madri, que está buscando a reeleição em votação legislativa no dia 14 de Março, em parte por seus registros de insucessos ao lidar com o ETA, considera a organização militante basca seu primeiro suspeito nos ataques.

Outras Condenações

Os grupos Muçulmanos também se apressaram em denominar as explosões como atos grosseiros e criminosos.

O Conselho Muçulmano Britânico (MCB) disse que denuncia estas atrocidades "totalmente e inequivocamente".

As explosões coordenadas na estação de Atocha no centro da capital espanhola e em outras estações foram atrocidades deliberadas e premeditadas que foram planejadas para inflingir more e destruição em escala massiva", disse Iq"" bal Sacranie, Secretário - Geral do Conselho Muçulmano Britânico.

"Os corações dos Muçulmanos e de todas as pessoas de consciência se voltam para as famílias cujas pessoas amadas foram assassinadas e daqueles que foram feridos nessas atrocidades absurdas." Sacranie disse numa entrevista à imprensa.

O MCB também condenou o uso pela mídia do termo "terroristas Islâmicos" como usado pelos canais da mídia para descrever estas pessoas claramente demoníacas que cometeram esses crimes odiosos.

Tentar ligar essas bárbaras e desumanas atrocidades aos ensinamentos do Islam e ao Corão é também um crime que está alimentando a demonização do Islam e dos Muçulmanos,disse o MCB na entrevista.

"Instamos a todos os envolvidos exercitar a maior circumspecção ao lidar com tais crimes contra a humanidade,que afetam a todos, na comunidade mundial", disse Sacranie.

De acordo com o Sheikh Yusuf Al-Qaradawi, um proeminente líder moderado islâmico, o Islam proíbe todos os tipos de agressão contra civis.

"O Islam não permite agressão contra pessoas inocentes, seja a agressão contra a vida, propriedade ou honra, e esta regra se aplica a todas as pessoas, independentemente de posto, status e prestígio", disse Qaradawi said num edito.

"O Islam não mantém uma política de duas faces ao salvaguardar os direitos humanos e nem tem por objetivo justificar os fins, ao atacá-los" , acrescentou.

'Retrocesso'

De volta a Washington, o Conselho das Relações Americo-Islâmicas (CAIR) - o maior grupo Islâmico de liberdade civil da America - condenou os ataques mortais no pico da hora do rush em Madri.

"Estes atos perversos de terrorismomerecem a mais forte condenação possível por todas as pessoas civilizadas. Pedimos por uma apreensão rápida e punição dos perpetradores", o grupo disse numa mensagem na Quinta-feira.

"Aqueles que executam tais crimes apenas geram retrocesso para qualquer que seja a causa que esposam" acrescentou.

O CAIR também reitera sua condenação de longa data de todos os atos do terrorismo, sejam eles perpetrados por indivíduos, grupos ou estados.

Imediatamente após as explosões, o Ministro do Interior da Espanha disse que "não havia dúvidas" de que o ETA era responsável.

Descrevendo a descoberta da van como "uma nova pista", ele disse que o foco da investigação permanece o ETA, mas devemos ser muito cautelosos e investigar outros caminhos.

O grupo militar basco tem sido culpado pela morte de mais de 800 pessoas em seus 36 anos de violenta campanha pela independência do nordeste de sua pátria.

Leia a notícia no original em inglês

Opinião da WAMY sobre os atentados de 11/03

A Comunidade Islâmica no Brasil lamenta e condena o atentado de 11 de março na cidade de Madri, independentemente dos autores, sendo muçulmanos ou não, pois, o Islam proíbe tirar a vida de inocentes, ou mesmo, colocá-la em risco, sendo estes inocentes muçulmanos ou não, da mesma forma como condenamos o assassinatos e o massacre de inocentes na Palestina, Iraque, no Afeganistão, em Angola, Burundi, Chechênia, etc..

Lamentável termos que assistir a raça humana deixando valores divinos de lado pra poder reunir mais poder ou riquezas em troca de vidas inocentes, invasões de países sem direito, humilhação de povos, instalação de ditaduras com a máscara de democracias.

Triste assistirmos inocentes morrendo por conta de atitudes insensatas de líderes que alegam defender o povo e o colocam em perigo, tomando decisões precipitadas, somente para agradar outros líderes. Não podemos somente assistir e lamentar, mas temos que mostrar o que o Islam de fato nos ensina, como justiça, paz, amor, fraternidade, solidariedade, igualdade e todos os valores e qualidades que qualquer sociedade, pessoa ou mesmo religião tenta aplicar e divulgar.

Mesmo que os autores sejam muçulmanos, isso não indica que a culpa seja de todos os adeptos do Islam, assim como não podemos culpar todos os cristãos pelas Cruzadas que massacraram centenas de milhares de inocentes muçulmanos, judeus, inclusive próprios cristãos, nem culpar todos os judeus pelos massacres que são praticados diariamente pelo Governo de Ariel Sharon contra os palestinos.

Sheikh Ali Abdouni
Sheikh Jihad Hassan
WAMY - AMÉRICA LATINA

12.3.04

CAIR Condena os Ataques em Madri

(WASHINGTON, D.C., 3/11/04) – O Conselho Para Relações Islâmico-Americanas (CAIR, em inglês) condenou hoje os ataques mortais à bomba na Espanha que deixou em torno de 190 mortos. As explosões ocorreram através dos trens e estações na quinta-feira de manhã no auge do horário do “rush” em Madri.

Em sua declaração o CAIR disse:

“Esses ataques brutais de terrorismo merecem a mais forte condenação possível de todas as pessoas civilizadas. Nós pedimos a prisão e punição imediata de seus perpetradores. Aqueles que cometem tais crimes geram apenas repulsa por qualquer que seja a causa que abracem.”

O CAIR, o maior grupo islâmico de direitos civis da América também reiterou sua longa condenação a todos os atos de terrorismo, sejam perpetrados por indivíduos, grupos ou estados.

CAIR
Council on American-Islamic Relations
453 New Jersey Avenue, S.E.
Washington, D.C. 20003
Tel: 202-488-8787, 202-744-7726
Fax: 202-488-0833
E-mail: cair@cair-net.org
Site do CAIR

5.3.04

O ex-refugiado libanês que é referência mundial na luta contra o câncer e optou por ser brasileiro

Riad Younes chegou ao país com 16 anos, sem documentos, fugido da guerra civil do Líbano. Sentiu-se acolhido pelos brasileiros e se transformou em um dos maiores especialistas em câncer de pulmão, ajudando a projetar internacionalmente o Hospital do Câncer, em São Paulo. É ainda pesquisador, professor universitário e jornalista bissexto. Em dezembro de 2003, integrou, "emocionado", a comitiva brasileira que acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na viagem aos países árabes.

Sergio Tomisaki



Riad Younes: 'Me sentia atraído pela capacidade do cirurgião de resolver os problemas com as mãos'

Cristina Iori

São Paulo - A guerra civil expulsou do Líbano a família Younes, de religião muçulmana, que chegou refugiada a São Paulo em 1976 - o casal Naim e Wajiha, e os dois filhos, Riad e Khaled. O filho mais velho ingressou, dois anos mais tarde, aos 18 anos, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Hoje, aos 44 anos, naturalizado brasileiro há 11, o cirurgião Riad Younes é um dos maiores especialistas do país em câncer de pulmão, e um de seus trabalhos já foi incluído entre os dez melhores da década publicados no mundo, segundo o American College of Chest Physicians. Que sorte para o Brasil ter acolhido a família Younes.

"Sorte a minha ter chegado aqui", retruca o médico de altura média, magro, gestos comedidos, que tem colecionado façanhas abaixo do Equador. A primeira façanha foi driblar as dificuldades do idioma e as circunstâncias que enfrentam todos os que não têm outra saída a não ser abandonar seu passado sem deixar rastros.

Riad Younes chegou ao Brasil sem documentos e não poderia estudar sem comprovação de escolaridade. No entanto, graças à Lei dos Refugiados de Guerra, em vigor nos anos 1970 por causa dos angolanos que para cá vieram, o garoto libanês pôde estudar em um colégio estadual de São Paulo, após realizar uma prova. Do colégio público para a Faculdade de Medicina da USP foi um salto gigantesco e demonstra que a família Younes não demorou a sentir-se em casa no novo país. "Jamais me senti discriminado aqui, nem mesmo quando não podia falar o idioma", diz ele.

Atualmente, Riad Younes conjuga sua intensa atividade como cirurgião - é chefe do Departamento de Cirurgia Torácica do Hospital do Câncer e membro do conselho diretor do Hospital Sírio-Libanês - com a pesquisa básica, produzida em laboratórios que coordena como professor titular na Faculdade de Medicina da USP e no Centro de Pesquisas Oncológicas da Universidade Paulista (Unip). Também atua como jornalista bissexto - assina a coluna e o encarte de saúde da revista "Carta Capital" e edita a revista "Câncer Hoje".

Palestras em todo o mundo

A paixão pela pesquisa Younes traz dos tempos de faculdade, no final dos anos 1970. Quando cursava o primeiro ano, começou a trabalhar com o professor Maurício Rocha e Silva no laboratório que estudava opções de tratamento para choques hemorrágicos graves. "Tem gente que coleciona coisas, gosta de viajar, fazer compras. Eu gostava de ficar no laboratório", ele conta. Passou os cinco anos de faculdade sem férias, sem folgas, sem lazer, imerso em seus estudos. O resultado veio logo. Antes mesmo de receber o diploma de médico, Riad Younes já havia realizado palestras em 17 países.

Tornou-se mundialmente conhecido o resultado desta pesquisa de Younes, uma solução superconcentrada de soro, onde 250 ml equivalem a 3 litros de soro comum, para utilização em situações emergenciais, quando substitui a anterior com vantagens de manipulação, transporte e rapidez de atendimento. Até soldados norte-americanos em frente de batalha carregam em suas mochilas embalagens com o soro hiperconcentrado, para auto-aplicação, caso sejam feridos.

O sucesso em laboratório poderia ter indicado ao jovem Younes um caminho seguro. No entanto, não era sua intenção ser cientista, e sim médico. "Para mim, a pesquisa em laboratório era um hobby".

O desafio da cirurgia

Durante o período de internato, quando os estudantes de quinto e sexto anos da Faculdade de Medicina da USP começam a atuar no Hospital das Clínicas, ele decidiu enfrentar um novo desafio: ser cirurgião. "Me sentia atraído pelos doentes mais graves, e pela capacidade que o cirurgião adquire de resolver os problemas com as mãos".

Com a intenção de aperfeiçoar-se em cirurgias de câncer de pulmão, candidatou-se e ingressou como fellow do Departamento de Cirurgia do Memorial Sloan-Kettering de Nova York, onde permaneceu por dois anos, de 1988 a 1990.

Ao voltar, em 1990, foi convidado a ser o chefe do Departamento de Cirurgia Torácica do Hospital do Câncer, que naquele momento passava por uma total reformulação. "Adotei no Hospital do Câncer o enfoque multidisciplinar no atendimento ao paciente. As decisões passaram a ser tomadas em conjunto, por vários especialistas. Antes, um cirurgião poderia orientar o tratamento por quimioterapia, o que é um absurdo", diz.

Referência internacional

O trabalho da equipe de Riad Younes no Hospital do Câncer tornou-se referência no Brasil e no mundo. Em 1999, foi publicado na revista internacional Chest o estudo que traz a descrição da rotina e estratégia de seguimento dos doentes de câncer de pulmão após cirurgia no Hospital do Câncer. Este texto foi selecionado pelo American College of Chest Physician entre os dez melhores trabalhos da década sobre câncer de pulmão, além de ser recomendado como leitura para todos os especialistas da área.

Ao completar dez anos à frente do Departamento de Cirurgia Torácica, Younes coletou e reuniu em um livro dados completos de todos os 840 casos tratados totalmente no Hospital do Câncer durante a década. O livro "Câncer de Pulmão: Prevenção, Diagnóstico e Tratamento - 1990/2000" é referência para profissionais da área, e demonstra a ânsia de Riad Younes em acumular experiência e fixar procedimentos na sua especialidade.

Tratar um paciente com câncer de pulmão é por definição um caso difícil. "94% são fumantes. Muitos chegam a mim quando já estão com os pulmões queimados e destruídos. E cabe ao cirurgião tentar preservar ao máximo partes do órgão".

Como cirurgião, Younes define a si mesmo como "tranqüilo", ou seja, não é dado a explosões de raiva ou autoritarismo quando está em sala de cirurgia. Opera quase que diariamente, e cada cirurgia pode durar até quatro horas. Uma das coisas que ele mais aprecia é tomar decisões rápidas quando o paciente está na mesa de operação, em situações que causariam calafrios ao mais frio dos mortais que não estivesse de sobreaviso. "Quanto mais racional estiver, melhor", diz.

"Fiquei arrasado"

Mesmo assim, com uma década de experiência à frente do Hospital do Câncer e dois anos "que equivalem a 20" no Memorial Sloan- Kettering de Nova York, Younes se depara com coisas que o deixam arrasado. Certa vez, considerou que seria simples uma cirurgia para extirpar um tumor pequeno, "minúsculo, segundo todos os exames", de um homem jovem, de 38 anos. Durante a cirurgia, veio a surpresa. Por todo o pulmão do paciente havia pequenos nódulos, imperceptíveis aos exames de imagem comumente feitos, e que indicavam a presença maciça da doença. "Não havia o que fazer. Nem cheguei a operá-lo", conta Younes. "Contar a ele foi muito triste".

No entanto, há casos em que a surpresa vem acompanhada da vitória. "Fui chamado às pressas a uma cirurgia que um assistente meu estava realizando, caso de um tumor de pulmão que na verdade já invadira o coração, outra situação não detectável em exames pré-cirúrgicos. Dessa vez, no entanto, conseguimos extirpar completamente o tumor sem prejuízo para o paciente. Foi gratificante", diz.

Tudo isso e a pressão cotidiana de atender e dar informações a pacientes que estão diante da morte tornam os dias de Riad Younes estafantes. Ao chegar em casa, precisa de meia hora de silêncio, antes de poder voltar tranqüilamente ao convívio da mulher Nadia, e das filhas, Yasmin, 10, e Nassrin, 7. Para a família, a presença do cirurgião também exige adaptações. Em seu consultório, há um desenho feito pela filha mais velha, que em vez de princesas, casinhas ou animais, retrata a figura de uma pessoa com o peito aberto, e o desenho de cada órgão interno, sua indicação e localização exata.

Trata-se de uma família árabe que segue os preceitos gerais da religião muçulmana. Younes não bebe e não come carne de porco. Pratica o jejum no período do Ramadã, e já fez uma peregrinação à Meca. Também não fuma, mas este hábito ele não refuta apenas por fé ao islamismo.

De volta ao Líbano, com o Lula

Este homem que enfrenta graves dilemas com seus pacientes, e já esteve enclausurado em uma pequena casa no interior do Líbano, durante um combate entre facções rivais, também é capaz de manter o bom humor. Em 1998, por sugestão do jornalista Mino Carta, responsável editorial pela revista "Carta Capital", escreveu um texto sobre um passeio que fez a Brasília, durante uma convenção partidária.

"Tinha a curiosidade de saber o que os políticos fazem. Ficaram sabendo e me convidaram a comparecer a um encontro político com crachá de jornalista. Fui, e me diverti à beça", conta Younes. O texto, "Sentiram minha falta em Brasília", o primeiro de uma série que se mantém até hoje, narra sua perplexidade diante do ambiente político. O título é uma brincadeira. Um político o cumprimentou como se o conhecesse e estranhou o fato de ele "andar sumido".

Em dezembro de 2003, como representante na área de saúde, Riad Younes integrou a comitiva brasileira que acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagem aos países árabes. Um momento histórico, já que se tratou da primeira visita de um chefe de estado brasileiro desde Dom Pedro II. Para Younes, além disso, foi "emocionante, indescritível".

"Me senti como se estivesse fazendo o caminho inverso e participando de algo bom para os dois países", declarou. Ele disse ter ficado feliz com a boa receptividade das autoridades ao presidente Lula e aos brasileiros.

O médico participou de eventos na Síria e Líbano, e nestes dois países pôde entrar em contato também com representantes do Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

Segundo Younes, há inúmeras possibilidades de intercâmbio com os países árabes na área de saúde. Uma das áreas é o ensino médico e o treinamento de paramédicos, além de intercâmbio acadêmico. A transferência de tecnologia de ponta e know-how, como por exemplo em transplantes, em que o Brasil tem destaque internacional, é outra possibilidade.

Estuda-se ainda o encaminhamento de pacientes para tratamento em nossos centros de excelência, possibilidade que exporia aos países árabes a tecnologia de nossos aparelhos e procedimentos hospitalares. Há também a semelhança dos problemas de saúde inerentes a países em desenvolvimento, como aqueles decorrentes de falta de saneamento básico. O Brasil tem ainda condições de repassar a própria experiência, bem-sucedida, de campanhas de vacinação em massa.

O médico de origem árabe Riad Naim Younes é assim: preocupa-se com seus pacientes, preocupa-se com o Brasil. Por sorte ou por destino, mantém-se afastado de outras tantas batalhas e disputas, como as expostas no texto sobre Brasília. Prefere a guerra diária contra o câncer, para nosso bem-estar e saúde.

Fonte: ANBA

4.3.04

Al-Qaida nega bombardeios no Iraque

4 Março 2004




Os bombardeios foram os maiores ataques desde a guerra

A Al-Qaida negou envolvimento nos bombardeios anti-xiitas que mataram em torno de 200 pessoas no Iraque durante a cerimônia religiosa de Ashura. Em uma declaração obtida pela Aljazeera.net na quinta-feira, a Al-Qaida culpou os “cruzados” americanos pelos ataques.

“Nós dizemos a todos os muçulmanos: não temos nada a ver com esse ato,” disse a declaração.

A declaração considerava os ataques “um plano americano para provocar um conflito sectário entre muçulmanos no Iraque”.

“Nossos objetivos são claros: nós estamos atacando os cruzados americanos e seus aliados. Estamos atacando a polícia iraquiana que está sendo usada pelos EUA para atacar os mujahidin no Iraque.”

“Estamos atacando os agentes dos EUA no Conselho de Infiéis, o pseudo Conselho do Governo e as pessoas associadas com ele, sejam elas sunitas ou xiitas,” informava a declaração.

Leia a notícia na íntegra em inglês

O CAIR Condena as Matanças no Iraque e Paquistão

Grupo islâmico de direitos civis chama os ataques de “sem sentido e vergonhosos”

Um proeminente grupo islâmico de direitos civis e advocacia condenou hoje como “sem sentido e vergonhosos” os ataques terroristas sobre os muçulmanos xiitas no Iraque e Paquistão que matou quase 200 pessoas e feriu centenas.

O Conselho Para Relações Islâmico-Americanas (de sigla CAIR, em inglês) baseado em Washington disse que os muçulmanos de todo o mundo devem responder aos ataques com ações projetadas para promover a unidade religiosa e a estabilidade política.

No Iraque três ataques suicidas mataram pelo menos 143 adoradores em Bagdá e Karbala. Em torno de 44 pessoas também foram mortas em um ataque à uma procissão religiosa no sudeste do Paquistão. (Um ataque semelhante matou uma pessoa no Afeganistão.) Todos os atingidos nos ataques de terça-feira eram muçulmanos xiitas comemorando a Ashura, o décimo dia depois do Ano Novo Islâmico e o aniversário do martírio do neto do Profeta Muhammad.

Em sua declaração o CAIR disse:

“Nós condenamos esses ataques sem sentido e vergonhosos nos mais fortes termos possíveis e conclamamos à uma rápida prisão e punição dos seus perpetradores. Ambos os atos de terror foram particularmente repugnantes porque os responsáveis atingiram adoradores durante práticas religiosas.

“Um motivo óbvio para as matanças foi criar divisões sectárias e promover o ódio dentro da comunidade. A única resposta adequada para esses ataques desprezíveis é um esforço redobrado por parte de todos os muçulmanos para promover a unidade religiosa e a estabilidade política na comunidade islâmica em todo o mundo.”

O CAIR, o maior grupo islâmico de direitos civis dos EUA, está baseado em Washington e tem 25 escritórios regionais em todo o país e no Canadá.

Site do CAIR, em inglês

29.2.04

Islam Atrai Britânicos de Destaque em uma Tendência Crescente

JEDDAH, 23 Fevereiro 2004 – Mais de 14.000 britânicos abraçaram o Islam, de acordo com o jornal britânico Sunday Times.

Citando o primeiro estudo do fenômeno, o jornal disse que as conversões ocorreram por causa da desilusão com os valores ocidentais. O estudo de Yahya (ex-Jonathan) Birt, filho de Lord Birt, ex-diretor-geral da BBC, fornece os primeiros dados confiáveis sobre o assunto delicado do movimento de cristãos em direção ao Islam.

Falando publicamente pela primeira vez sobre sua crença, Birt, cujo doutorado na Universidade de Oxford é sobre os jovens muçulmanos britânicos, argumentou que uma figura inspiradora, similar ao convertido americano Malcom X para os afro-caribenhos, teria que emergir se a próxima etapa, uma conversão em massa entre os britânicos brancos, tivesse que acontecer.

“Você precisa de grandes figuras transicionais para traduzir algo exótico (como o Islam) para o vernáculo,” disse ele. “A imagem do Islam projetada por movimentos políticos islâmicos não é muito atrativa.”

A crença tem feito incursões dentro da elite. Nesse final de semana foi divulgado que a bisneta de um primeiro-ministro britânico se converteu. Emma Clark, cujo ancestral, o Primeiro Ministro Liberal Herbert Asquith, levou a Grã-Bretanha à Primeira Guerra Mundial, disse: “Nós estamos fazendo furor; eu espero que não seja uma paixão passageira.”

Clark, que ajudou a projetar um jardim islâmico para o Príncipe de Wales em Highgrove, está agora ajudando a criar um jardim semelhante para uma mesquita em Woking, Surrey, no lugar de um estacionamento.

Muitos convertidos foram inspirados pelos escritos de Charles Le Gai Eaton, um ex-diplomata do Escritório de Relações Exteriores. Eaton, autor de “Islam e o Destino do Homem”, disse: “Eu tenho recebido cartas de pessoas que estão confusas com os padrões do Cristianismo contemporâneo e estão buscando uma religião que não se comprometa tanto com o mundo moderno.”

Novas evidências chegaram nesse final de semana de que o Islam recebeu uma aceitação formal no coração da elite. A Rainha aprovou arranjos para permitir que os funcionários muçulmanos no Palácio de Buckingham tenham tempo livre para atender às orações de sexta-feira na mesquita: um membro da equipe no departamento financeiro será o primeiro a desfrutar da decisão.

Leia a notícia na íntegra em inglês

As Doutrinas Cristã e Islâmica se Sobrepõem

Mansour El-Kikhia, San Antonio Express-News, 2/28/04

Os muçulmanos acreditam que Jesus, assim como Moisés antes dele, foi enviado para mostrar o caminho do bem, da prática da misericórdia e salvação. Assim como os cristãos, os muçulmanos acreditam que ele nasceu de uma virgem.

De acordo com os muçulmanos Jesus completa um ciclo humano, porque assim como Eva foi produto de um homem sem a semente de uma mulher, Jesus é um homem produzido de uma mulher sem a semente de um homem. Os muçulmanos também acreditam que Jesus curou o leproso e realizou milagres.

Muitos cristãos não sabem que os muçulmanos acreditam que no final dos tempos Jesus, e não Muhammad, o profeta do Islam, retornará.

Existem, claro, profundas diferenças entre as crenças, mas em uma análise final o Islam está mais disposto a aceitar essas diferenças do que lhe é dado crédito.

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O Qatar diz que a Rússia Prendeu Dois de Seus Cidadãos

Reuters, 2/28/04

DOHA, 28 Fevereiro (Reuters) – O Qatar disse no sábado que a Rússia havia detido dois de seus cidadãos na quinta-feira – o dia em que o governo de Doha anunciou que tinha acusado dois russos pelo assassinato de um ex-líder rebelde checheno, despertando a fúria em Moscou.

A agência de notícias do país, QNA, cotou o secretário do Ministério de Relações Exteriores dizendo que o ministro estava em contato com autoridades russas sobre a prisão dos seus dois cidadãos, ambos membros da seleção nacional de luta-livre.

Foi dito que os dois foram presos no aeroporto de Moscou na quinta-feira, o dia em que o Qatar acusou dois russos de envolvimento na explosão de um carro que matou Zelimkhan Yandarbiyev no país, em 13 de fevereiro.

“Eles foram detidos na chegada no aeroporto de Moscou no caminho para a Sérvia, para participar do torneio de qualificação dos Jogos Olímpicos de 2004,” disse a agência QNA.

As autoridades de Moscou ficaram furiosas com a prisão no Qatar dos dois russos, que a Rússia reconhece serem espiões mas insiste que estavam envolvidos na luta contra o terrorismo internacional, e não tiveram nada a ver com o assassinato do checheno.

Recebido pela mala direta do CAIR

Professor Envolvido em Questão Sobre Véu Se Demite

Hector Becerra, Los Angeles Times, 2/28/04

Um instrutor do Colégio Antelope Valley que ficou sob forte criticismo por ordenar uma estudante muçulmana de 19 anos de idade remover o lenço que cobria seus cabelos em sua aula se demitiu sexta-feira, informaram os responsáveis pelo colégio.

Robert Daniel, um engenheiro que dava aulas “part-time” desde 2002, se demitiu antes que a diretoria da escola de Lancaster decidisse se ele deveria ser despedido, disse Jackie Fisher, presidente interino.

“Nós podíamos tê-lo despedido – era uma opção – mas ele se demitiu,” disse Fisher. “Ele não será readmitido e nem trabalhará aqui novamente.”

A estudante, Fajr Burhan, disse que quando ela se dirigiu à aula de ciência de computação dada por Daniel na semana passada ele disse a ela para tirar o hijab ou sair.

Burhan disse que ela se recusou, explicando que ela usava o lenço por razões religiosas. Depois dela ter se sentado Daniel pediu a ela que o acompanhasse para fora da sala de aula. Eles encontraram o diretor, que disse a Daniel que ele tinha que respeitar o direito de Burhan de usar o lenço.

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25.2.04

Banir o Véu? Não em Toronto

Estudantes respeitam outras crenças – Proposta francesa é impopular aqui

Todos os dias estudantes nas escolas de Toronto vêem seus colegas de classe usando símbolos religiosos – cruzes para os cristãos, quipás para estudantes judeus, véus para as jovens muçulmanas seguindo as instruções corânicas para se vestirem modestamente. Eles também vêem alguns sinais externos de filiação religiosa.

E sua reação aos véus e outras vestimentas religiosas que fizeram o governo francês introduzir uma legislação para banir tais símbolos em escolas públicas a partir de setembro próximo? Sem problemas.

“É Toronto,” disse Clancy Zeifman, 16 anos, que estuda no Forest Hill Collegiate.

“É tão multicultural. Nós somos encorajados a praticar nossa religião. Na escola nos ensinam a aceitar todas as religiões. Essa é a forma como somos educados”.

Em Toronto, onde 17 por cento da população é muçulmana, judia, sikh ou budista, e outros 17 por centro diz que não tem religião, os educadores escolheram uma alternativa ao banimento de símbolos de filiação religiosa. Ela se chama acomodação.

“Não é correto acreditar que se é oprimida porque se está usando um véu,” disse Asha Alam, 18 anos.

“E uma freira usando um hábito? Eu uso o lenço por escolha própria. Ninguém está me forçando. Se eu escolher tirá-lo eu posso, apesar de que meus pais ficariam desapontados.

“Isso é o que significa viver em uma sociedade democrática – viver livre e abertamente.”

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19.2.04

Tirando o Véu da Verdade: o Retrato Alemão do Hijab



Rana ficou em destaque na TV alemã

O debate que já dura 1 ano sobre o banimento do véu (hijab) na França e Alemanha alcançou o seu auge quando o presidente francês Jacques Chirac propôs formalmente uma lei banindo o uso de símbolos religiosos nas instituições públicas na França. Isso atraiu a atenção de vários setores da mídia para tentar explicar o conceito de hijab, a lógica por trás do seu uso e, mais importante, saber mais sobre o estilo de vida de mulheres usando o véu.

Mudando Estereótipos



O programa se concentrou principalmente na vida diária das jovens

Em uma tentativa de explorar esse tópico mais a fundo, a televisão alemã tomou um passo positivo para explicar esse fenômeno relativamente novo. Como resultado, o sr. Waltar Dehler, um correspondente estrangeiro da televisão alemã, veio para o Cairo por quase um mês. O seu principal objetivo era preparar um programa que procura compreender o conceito do véu e suas diferentes dimensões, fornecendo aos telespectadores uma cobertura objetiva e de primeira mão sobre o assunto e, espera-se, mudando os estereótipos – na Europa em geral e na Alemanha em particular – sobre as mulheres que usam o véu.

O programa se concentra principalmente na vida diária de algumas jovens egípcias instruídas que usam o véu. O programa mostra essas jovens de véu jogando basquete, estudando, fazendo compras ou se socializando como elas normalmente fazem. “O objetivo”, ele disse, “é mostrar aos alemães que por trás do véu essas garotas também tem suas vidas, vários aspectos dos quais são muito familiares para as jovens européias.” Além disso, existem entrevistas com essas jovens para saber suas opiniões sobre o véu e outros tópicos polêmicos, incluindo, por exemplo, a poligamia.

Por que Elas Usam Hijab?!

A percepção geral sobre as mulheres muçulmanas é que elas não são bem instruídas, não tem direitos iguais aos dos homens e seu papel é principalmente servir aos homens e satisfazer seus desejos. Enquanto que por outro lado, os homens tem o direito de se casar com mais de uma mulher, recebem uma melhor instrução e assim por diante. Entretanto, a maioria dos alemães ficaram fascinados em saber que a maioria das mulheres usam o véu por sua própria vontade.

Vendo o Quadro Completo

De maneira geral o programa ajuda aos alemães a serem capazes de se relacionar mais com as mulheres muçulmanas; a não rotulá-las apenas como “usando véu”, ou pensar nelas como fundamentalistas, mas ao contrário serem capazes de ver o quadro completo de suas vidas, ambições e modos de pensar.

Na verdade os países de maioria muçulmana devem encorajar tais tentativas e iniciar o diálogo e cooperação com a mídia ocidental, para garantir que eles representem a imagem correta sobre o Islam em diferentes partes do mundo. Isso só pode acontecer quando provermos os telespectadores em todo o lugar com os fatos, e deixá-los formar sua própria opinião.

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16.2.04

Presidente do Líbano chega hoje para estreitar relações políticas e comerciais com o país



Lula e Lahoud seguram as bandeiras dos dois países na visita do presidente brasileiro ao Líbano

Emile Lahoud reúne-se amanhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos assuntos será o encontro de cúpula entre chefes de estado árabes e sul-americanos que ocorrerá no segundo semestre. Serão negociados acordos de cooperação nas áreas técnica, cultural, de educação e comercial.

Alexandre Rocha

São Paulo – Como uma continuação da viagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ao Líbano no início de dezembro, o seu colega libanês, Emile Lahoud, desembarca hoje (16) em Brasília com o objetivo de intensificar as relações políticas e comerciais entre os dois países.

A agenda da visita ainda não estava totalmente fechada até o final da tarde de sexta-feira, mas segundo fontes diplomáticas, Lahoud vai se encontrar reservadamente com o presidente Lula na terça-feira (17) pela manhã. Um dos assuntos que deverá ser tratado pelos dois é a realização da reunião de cúpula entre os chefes de estados dos países árabes e da América do Sul, programada para ocorrer no segundo semestre.

O encontro de cúpula foi idealizado por Lula no ano passado e a primeira reunião preparatória para o evento ocorreu em Genebra (Suíça) no dia 30 de janeiro. Ela foi presidida pelo ministro das relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e contou com a participação de representantes da maioria dos países envolvidos.

Após a conversa com Lula, haverá uma reunião de trabalho entre e delegação libanesa e representantes do governo brasileiro, seguida de uma cerimônia de assinatura de atos. Serão negociados acordos de cooperação nas áreas técnica, de educação, cultural e comercial.

O presidente do Líbano terá uma agenda cheia pelo resto do dia. Após um almoço oferecido pelo Itamaraty, fará visitas de cortesia aos presidentes do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP).

No final do dia ele vai se reunir com os embaixadores dos países árabes em Brasília e ainda participará de um jantar oferecido pela comunidade árabe e pelo embaixador de seu país, Fouad El Khoury. Na quarta-feira (18) Lahoud terá em São Paulo um encontro com o governador do estado, Geraldo Alckmin.

Comércio

Apesar de o Brasil ter uma enorme colônia árabe, cerca de 6 milhões de libaneses e descendentes, população maior do que a do próprio Líbano, que é de 4 milhões, as relações comerciais entre os dois países ainda são pequenas.

No ano passado o Brasil exportou para o Líbano o equivalente a US$ 54,8 milhões em mercadorias. Os principais itens da pauta são a carne bovina (in natura e industrializada), café verde, castanha de caju, papel kraft e automóveis. Já as importações de produtos libaneses somaram US$ 6,8 milhões, sendo que as principais mercadorias compradas foram superfosfatos, sementes de cominho, coco seco, doces de frutas e blocos de vidro prensados e moldados.

Nascido em janeiro de 1936 em Beirute, Lahoud é militar de carreira. Ele foi eleito presidente da República pelo parlamento Libanês em 1998. Antes disso ocupava o posto de comandante-geral do exército desde 1989.

Fonte: ANBA

Consulado do Egito inicia projeto para aumentar vendas ao Brasil

Em entrevista à ANBA, o cônsul comercial egípcio Mohamad Bakry Agami afirmou que estão sendo feitos estudos sobre o mercado local e contatos com empresários brasileiros. Ele disse ainda que recebeu "instruções oficiais de dar maior atenção ao Brasil" após a visita de Luiz Inácio Lula da Silva ao seu país. "Podemos dividir o relacionamento bilateral em antes e depois dessa viagem", declarou.

Leia a notícia na íntegra em português

15.2.04

Mulher para Presidir o Museu Egípcio

Pela primeira vez em seus 101 anos de história, uma mulher foi nomeada para presidir o prestigioso Museu Egípcio no Cairo, anunciou na segunda-feira o Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

Wafaa Seddiq ira “supervisionar novos projetos para expandir o museu que deve ser lançado esse ano, que inclui o estabelecimento de uma biblioteca e um centro de visitantes,” disse o secretário-geral do conselho, Zahi Hawwas.

Por seu lado, Seddiq disse que ela planeja “organizar exibições temáticas de modo a atrair o maior número possível de turistas” e prometeu expor peças que tem se deteriorado na armazenagem no porão do museu.

O Museu Egípcio, localizado no centro do Cairo e fundado pela arqueóloga francesa Auguste Mariette, celebrou seu centésimo aniversário em dezembro de 2002. Ele é lar de mais de 160.000 peças, datando de eras pré-históricas até o período greco-romano, incluindo os famosos tesouros do faraó Tutancâmon.

Notícia original em inglês

Arábia Saudita Conta os Lucros do Hajj

09 de Fevereiro de 2004

Dois milhões de muçulmanos tomaram parte esse ano na peregrinação à Meca




A Arábia Saudita ganhou 5.2 bilhões de riyals ($1.38 bilhões) dispendidos pelos peregrinos estrangeiros durante o Hajj desse ano aos locais sagrados islâmicos. Os 1.4 milhões de peregrinos estrangeiros que seguiram para Meca gastaram 1.4 bilhões de riyals ($3.73 milhões) em acomodações, de acordo com uma pesquisa citada pelo jornal Arab News English na segunda-feira.

Dois bilhões de riyals ($533.3 milhões) foram gastos em transporte aéreo, dos quais 20% foram para a aerolinha nacional do reino e o restante em outros serviços e presentes.

Os negociantes de moedas estrangeiras fizeram negócios vigorosos uma vez que os bancos estavam fechados durante o período do Hajj, enquanto farmácias foram ajudadas pelo clima mais frio que o usual, disse o jornal.

O Hajj é o quinto pilar do Islam e é dever de todo muçulmano com meios físicos e financeiros.

Um total de em torno de dois milhões de peregrinos – estrangeiros e residentes - tomaram parte esse ano no Hajj, de acordo com as autoridades sauditas.

Notícia original em inglês

Mulheres e Crianças Iraquianas sob Custódia dos EUA

Por Ahmed Janabi

15 de Fevereiro de 2004


Mulheres iraquianas gritam slogans contra os EUA em frente à prisão de Abu Ghuraib


As forças de ocupação americanas no Iraque tem prendido as esposas de suspeitos de pertencerem à resistência iraquiana em uma tentativa de forçar seus maridos a se entregarem.

“Renda-se, nós temos a sua esposa.” Esse tipo de nota ameaçadora tem sido encontrada nas casas de muitos iraquianos. De acordo com o repórter da Al Jazeera em Bagdá, as forças americanas deixam tais notas toda vez que invadem a casa de um suspeito iraquiano e não o encontram. Acredita-se que muitas mulheres iraquinas estejam na cadeia porque as forças americanas suspeitam que seus maridos pertençam à resistência.

O sargento Robert Cargie da quarta divisão da infantaria em Tikrit negou a acusação. “Isso categoricamente não é verdade. Nós detemos e capturamos indivíduos baseados em informações e inteligência de que a pessoa está envolvida em algum tipo de atividade contra a coalizão. Nós objetivamos uma pessoa independente de seu sexo e fazemos o melhor para capturá-la.”

Mas o Dr Muzhir al-Dulaymi, porta-voz da Liga para a Defesa dos Direitos do Povo Iraquiano, disse à Aljazeera.net que sua organização tinha “discutido o assunto das esposas de suspeitos iraquianos com as forças americanas".

“Nós também discutimos a questão das crianças iraquianas prisioneiras, que são acusadas pelos americanos de envolvimento na resistência iraquiana. Um comitê será estabelecido com a representação americana para examinar as alegações.”

Amplo Ressentimento

Um amplo ressentimento vem aumentando entre os iraquianos que dizem que os EUA não estão dando atenção suficiente ao tratamento dispensado aos iraquianos.

Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Al-Mustaquil de Gerenciamento e Estudos Sociais, em Bagdá, revelou que 60% dos iraquianos rejeitam a ocupação americana do Iraque. A percentagem era 35% em novembro de 2003.

Leia a notícia na íntegra em inglês

14.2.04

Principal Igreja do Canadá Busca Reconciliação com o Islam

Por Mustafa Abdel-Halim, IOL Staff

Cairo, 8 de Fevereiro (IslamOnline.net) – A Igreja Unida do Canadá reconheceu uma longa história de hostilidade em relação aos muçulmanos no Cristianismo e afirmou que a imagem do Islam que “hoje é tão frequentemente descrita como uma religião de violência” deve ser revertida.

A Igreja, principal representante dos protestantes canadenses, liberará no meio de fevereiro um documento buscando reconciliação com os muçulmanos baseado no que as duas religiões tem em comum, disse Margaret Sumdh, um membro do Comitê Inter-crença da igreja, ao IslamOnline.net.

Uma cópia do documento enviada ao IOL reconhece “uma longa história dentro do Cristianismo de hostilidade em relação aos muçulmanos e ao Islam e busca se comprometer em uma jornada de reconciliação com os vizinhos muçulmanos.”

Intitulado “Nós Precisamos nos Conhecer”, o documento vai fundo na relação entre o Islam e o Cristianismo no contexto canadense. Afirmando “o auto-testemunho do Islam como uma religião de paz, misericórdia, justiça e compaixão”, mantém que os cristãos devem buscar “compreender o Islam com humildade e cuidado”.

O documento de 80 páginas foi preparado pela igreja em consulta com uma organização islâmica canadense, uma medida demonstrando o quanto pessoas das duas crenças estão ansiosas para se reconciliar.

Afirmando que levou dois anos para elaborar o documento, Sumdh disse que ele seria distribuído amplamento e incluído em um guia de estudo nas igrejas. “Nós tentaremos alcançar todos os setores da sociedade, incluindo aqueles que não tem antecedentes” disse ela.

A igreja oficial destacou que embora o documento tenha sido escrito para um contexto canadense, ele estabelece um exemplo de como pessoas de diferentes religiões podem viver em harmonia, especialmente na América do Norte.

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O Governo de Martin Ameaça Canadenses que Assistem Canais de Satélites Estrangeiros, Incluindo a Al-Jazeerah

10 de Fevereiro de 2004

O Congresso Islâmico do Canadá se opõe veementemente a um novo projeto de lei federal que dará ao governo de Paul Martin o poder de multar os canadenses que assinarem canais de satélite estrangeiros, tais como a Al-Jazeerah.

O projeto de lei C-2 que deverá ser apresentado para uma segunda leitura no Parlamento no final desse mês, imporá uma multa máxima de $ 25.000 ou um ano de cadeia para os canadenses que forem pegos assinando canais estrangeiros através de empresas americanas, ou que importem os mesmos sinais instalando equipamentos divulgados pela Dish Network ou Direct TV. Ambas as empresas fornecem canais de TV em árabe, espanhol, russo, japonês, polonês, hindi e outros idiomas para um mercado que é muito pequeno para os empreendedores canadenses atenderem.

“Se os canadenses podem assinar revistas e jornais estrangeiros, por que o governo Martin quer puni-los por assinar canais de TV estrangeiros através de um distribuidor americano quando eles não estão disponíveis aqui?” questionou Dr. Mohamed Elmasry, presidente nacional do Congresso Islâmico Canadense. “O projeto de lei C-2 claramente vai contra os valores de liberdade de religião e expressão canadenses. É uma forma insidiosa de censura.”

É estimado que se o projeto de lei C-2 se tornar lei, mais de um milhão de famílias canadenses que assistem esses canais de TV para ficar em contato com suas culturas serão afetadas. Além dos centenas de milhares de canadenses do Oriente Médio que se sintonizam à Al-Jazeerah, muitas outras comunidades étnicas também irão sofrer. Entre elas estariam por exemplo mais de 140.000 canadenses de língua espanhola, de acordo com o Congresso Íbero-Americano do Canadá.

“Isso se equipara a abrir guerra contra o multiculturalismo canadense,” disse a vice-presidente nacional do Congresso Islâmico Canadense, Sra. Wahida Valiante. “Nós pedimos a todos os canadenses que se importam com a liberdade de religião e expressão nesse país para contatar seus parlamentares locais e urgi-los a parar esse projeto de lei.”

Matéria recebida pela mala direta do Montreal Muslim News Network

8.2.04

Hering abre franquias da grife dzarm. nos países árabes

Já foram inauguradas duas lojas, em Dubai e no Bahrein, e outras estão a caminho. O fato é inédito, pois nem mesmo no Brasil a companhia trabalha com franquias da marca, de moda jovem e unissex.












Produtos dzarm. na loja de Dubai: Moda jovem unissex, 'ousada' e 'fashion', porém, adaptada



Alexandre Rocha

São Paulo – Dentro da estratégia de expandir suas fronteiras comerciais para muito além do Brasil, a Companhia Hering, tradicional confecção de Blumenau, Santa Catarina, começou a abrir franquias de sua marcas nos países árabes. No início de dezembro foram inauguradas duas lojas da dzarm., grife de moda jovem unissex, uma no Al Ghurair Shopping Center em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e a outra no Bahrein Mall em Manama, capital do Bahrein. As unidades têm cerca de 170 metros quadrados.

Até o final de fevereiro mais uma loja da marca será inaugurada na região, desta vez no Catar. No segundo semestre deverão começar a funcionar duas unidades da grife infantil PUC, uma na Arábia Saudita e outra no Líbano.

De acordo com Leandro Vieira, gerente de exportações da Hering, as negociações para a concessão de franquias começaram em setembro do ano passado. Um agente comercial jordaniano fez a ponte entre a companhia catarinense e a Ninety Nine International, que se tornou a franqueada da dzarm. nos Emirados e no Bahrein. O investimento inicial feito pela operadora árabe, segundo Vieira, foi de US$ 900 mil.

Planos

Além disso, a Ninety Nine hoje detém a “reserva de mercado” da marca para o Catar, Jordânia, Egito e Irã. Este último não é um país árabe, mas está localizado no Golfo.

O fato curioso é que a Hering resolveu inovar de vez nos negócios com os árabes ao franquear a grife, uma vez que não trabalha com franquias da dzarm. nem mesmo no Brasil, onde as roupas da grife são comercializadas em lojas multimarcas. A idéia é abrir pelo menos uma loja da marca em cada um desses países.

“Quando o nosso agente da Jordânia esteve em Blumenau, discutindo o assunto, isso parecia impossível”, disse Vieira. No caso da PUC serão escolhidos representantes locais na Arábia Saudita e no Líbano.

As franquias concedidas pela Hering nos países árabes diferem um pouco do modelo tradicional desse tipo de negócio. Segundo Vieira, a empresa não cobra royalties pelo uso da marca, apenas uma taxa de franquia. Os produtos comercializados, porém, são 100% brasileiros, fabricados pela matriz.

Adaptações

“Resolvemos flexibilizar nosso processo de franquias internacionais”, afirmou o executivo. Segundo ele, o pacote para os árabes é mais leve também no que diz respeito aos serviços prestados pela franqueadora. “Pesa menos a prestação de serviços, pois os objetivos maiores são as vendas e a apresentação da marca”, acrescentou.

Na avaliação de Vieira, sairia muito caro para a Hering arcar com os serviços necessários para a promoção da marca do outro lado do mundo. Então todo o desenvolvimento da comunicação visual da marca, por exemplo, é feito pelo operador local e aplicado após aprovação do departamento comercial da matriz.

Segundo o executivo, além dos custos menores, tal sistema permite que o representante trabalhe o marketing da grife “de acordo com a linguagem local”.

Adaptar os produtos ao gosto do freguês faz parte também da estratégia internacional da Hering. Para a dzarm., por exemplo, que representa um segmento de roupas mais “ousadas” e “fashion” dentro da companhia, foi aumentado o comprimento da saias a serem comercializadas no mundo árabe, a fim de se atender a exigências religiosas. “É preciso estudar como cada país funciona e como adaptar os produtos para cada um deles”, afirmou Vieira. Daí a escolha de representantes diferentes para o Líbano e a Arábia Saudita.

No caso da Arábia Saudita, por exemplo, optou-se pela linha infantil ao invés das já tradicionais lojas Hering existentes no Brasil e em outros países da América Latina. “Na Arábia Saudita onde compra homem, mulher não compra, e vice-versa, o que dificulta a abertura de uma Hering Store que vende de tudo. Por isso a opção pela PUC”, afirmou Vieira.

Outros mercados

Mas a estratégia de franchising da empresa catarinense não termina no Oriente Médio, envolve também a Europa. Para março está programada a inauguração de uma loja dzarm. na cidade espanhola de Marbella, que é um rico balneário na costa do Mediterrâneo.

Vieira conta que a Hering decidiu em 2002 começar a apostar com maior força em novos mercados, fora das Américas. Essa decisão, segundo ele, foi motivada pelos problemas econômicos ocorridos na Argentina e na Venezuela, que revelaram a “vulnerabilidade” do mercado latino-americano. A partir daí a companhia começou a enviar representantes para missões e feiras nos países árabes. “Resolvemos trabalhar o processo de consolidação das marcas no exterior”, declarou.

Antes da abertura das franquias, a participação das vendas para os árabes na receita de exportações da Hering era pequena, e ainda é, mas a aposta é no crescimento. De acordo com Vieira, em 2003 a companhia exportou o equivalente a US$ 300 mil para a região, sendo que o faturamento das vendas externas foi de US$ 22 milhões, 22% de seu faturamento global.

É que a Hering tinha apenas um “operador” na Arábia Saudita. Para este ano, a previsão é de que os embarques para os árabes somem US$ 1 milhão. Mas Vieira para por aí suas estimativas. “É preciso ter o pé no chão, ver qual será a aceitação das marcas. O primeiro semestre deste ano será um termômetro importante”, afirmou.

Hoje o principal mercado da empresa no exterior são os Estados Unidos, que respondem por 60% das receitas de exportação. Só que para lá os embarques são formados basicamente por roupas confeccionadas para marcas norte-americanas. O maior mercado da grife Hering, porém, é o Uruguai.

Fonte: ANBA

Primeira conferência de finanças islâmicas acontece em março, em Dubai

Da redação

São Paulo – A 1ª Conferência de Finanças Islâmicas (Firbc, na sigla em inglês) acontecerá nos dias 3 e 4 de março em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo informações do jornal árabe Khaleej Times, o encontro recerá entre 250 e 300 representantes internacionais.

O evento é voltado para o segmento bancário de varejo. É a primeira vez que esse segmento é enfocado, afirmou o diretor da conferência Reza Adil.

Segundo Khaled Al Ghais, funcionário do banco Dresdner Kleinwort Wassertein, na Amelanha, há muito interesse nesse encontro, especialmente de bancos ocidentais, que começam a atuar no setor. Na Inglaterra, por exemplo, o primeiro banco islâmico deve começar a operar nos próximos meses.

Uma das principais diferenças do setor financeiro islâmico para o tradicional diz respeito aos juros. A lei islâmica, a Sharia, condena a cobrança de juros. Ou seja, os bancos não podem cobrar juros de empréstimos, nem remunerar fundos de investimentos renda fixa. O que acaba acontecendo é que essa remuneração, em vez de ser feita com base nas taxas de juros convencionais, é substituída por uma participação nos ganhos ou perdas que os bancos têm ao administrarem os recursos dos clientes.

A Sharia permite, porém, investimentos em ações, porque representam um ativo real. Mas há restrições: as aplicações só podem ser feitas em papéis de empresas que não ferem os princípios da religião islâmica. Bebidas alcoólicas e armas, por exemplo, ficam de fora.

O segmento tem se mostrado tão rentável que ultrapassou as fronteiras do Oriente Médio - há fundos de ações islâmicos sendo vendidos até mesmo nos Estados Unidos. Estima-se que o total de recursos islâmicos investidos em todo o mundo some cerca de US$ 260 bilhões.

Fonte: ANBA

6.2.04

O quebra-cabeça iraquiano

Dividido entre curdos, sunitas e xiitas, o Iraque enfrentará enormes dificuldades na busca por unidade.

Por Emir Sader

Como diz o ditado, “É fácil tirar o fantasma da garrafa. Difícil é colocá-lo de volta.” Países compostos por várias nacionalidades, etnias ou seitas têm dificuldade de manter sua unidade. Quando ela é destruída, sucedem-se instabilidades difíceis de ser superadas. Passou-se e ainda se passa isso com a ex-URSS e a ex-Iugoslávia. A mais nova vítima de um quebra-cabeça desfeito, cuja unidade coloca problemas aparentemente intermináveis, é o Iraque.

Pouco mais de um mês depois da prisão de Saddam Hussein, janeiro bateu os recordes de vítimas, tanto norte-americanas quanto iraquianas. Não há horizonte para uma nova unidade do país, depois da invasão e da ocupação norte-americana.

A divisão entre xiitas, sunitas e curdos, sobre a qual se sobrepõem todas as feridas da invasão, da destruição de símbolos fundamentais para a identidade do país, mais as humilhações vividas pela população, faz com que a tarefa de recompor algum tipo de governo, com um mínimo de representatividade e de estabilidade, se torne quase impossível.

Os xiitas querem uma república islâmica. Lutam por eleições universais e diretas, seguros de que devem triunfar. Mas desejam, com esse triunfo, impor a contrapartida do que era a hegemonia sunita – instalar um outro regime fundamentalista, desta vez xiita. Os curdos são favoráveis a um regime secular, federativo, não dividido por tendências religiosas – que igualmente os dividiria -, mas que lhes permita uma autonomia regional. Os sunitas, considerando-se os principais protagonistas da resistência à ocupação norte-americana, desejam ser mais representados no Conselho de Governo Iraquiano, pretendendo ter papel fundamental em um novo governo.

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5.2.04

Bancos estrangeiros voltam a operar no Iraque pela primeira vez desde a década de 60

Três instituições internacionais começam a funcionar até o final do ano no país: HSBC, Standard Chartered e o Banco Nacional do Kuwait. Mais três devem ser autorizadas em breve, informou o BC iraquiano.

Da redação

São Paulo - O Banco Central do Iraque deu permissão para que três bancos estrangeiros passem a operar no país: o HSBC, o Banco Nacional do Kuwait (NBK, na sigla em inglês) e o britânico Standard Chartered. É a primeira vez que instituições financeiras internacionais voltam a funcionar no país desde 1964, quando o setor foi nacionalizado, informaram agências internacionais.

Segundo o assessor do presidente do BC iraquiano, Sinan al-Shabibi, os bancos devem começar a operar até o final deste ano. "E outras três licenças para instituições estrangeiras serão anunciadas em breve", declarou, de acordo com o jornal libanês Daily Star.

A autoridade monetária do Iraque convidou seis bancos internacionais a se candidatarem a licenças de até seis anos no país. A exigência era a de que cada instituição mantivesse pelo menos US$ 25 milhões no sistema financeiro local.

A escolha do HSBC, do Standard Chartered e do NBK foi feita "para prosseguir com o processo de licenças de bancos estrangeiros", disse al-Shabibi. Segundo ele, o BC "vai se reunir em breve com essas instituições para explicar outros elementos técnicos s procedimentos para a autorização de funcionamento. Mas já antecipamos que as licenças serão dadas até março".

O executivo informou ainda que os bancos deverão começar a operar até "31 de dezembro de 2004". "Essas instituições trarão ao país práticas bancárias modernas, capital e know-how", acrescentou. Para o consultor executivo Joe Sarrouh, do Fransabank, de Beirute, no Líbano, o BC optou por levar ao Iraque bancos que já tivessem expertise em outros mercados fora de seus países de origem.

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Professor de Louisiana Despedido Depois de Puxar o Hijab de uma Estudante Muçulmana



Teólogos muçulmanos dizem que o hijab é uma obrigação religiosa e não um símbolo para ser facilmente abandonado

Washington, 5 de Fevereiro (IslamOnline.net & News Agencies) – Uma escola secundária de Louisiana dispensou um professor de ciências sociais depois dele puxar o hijab de uma estudante muçulmana e fazer comentários ofensivos sobre sua crença, relatou um proeminente grupo de direitos civis islâmicos quarta-feira.

O Conselho para Relações Islâmico-Americanas (CAIR) disse em um comunicado à imprensa enviado para o IslamOnline.net que uma estudante de 17 anos da West Jefferson High School em Harvey, Los Angeles, disse que o professor puxou o seu hijab durante a aula de história em 30 de Janeiro.

Depois de puxar o hijab da estudante, o professor teria dito: “Eu espero que Deus puna você. Não, me desculpe. Eu espero que Allah puna você. Eu não sabia que você tinha cabelo”.

A estudante, que é de origem iraquiana, disse ao CAIR que o professor tinha anteriormente feito comentários ofensivos sobre a origem étnica e religiosa de outros estudantes.

A Diretora da West Jefferson High School, Lale Geer disse ao grupo que o professor tinha sido removido da escola. Geer também destacou que sua escola respeita os estudantes de todas as culturas, e que tal comportamento não seria tolerado.

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Depois do Pisoteamento, Ponte de Quatro Andares para a Área de Jamrat

Meca, 4 de Fevereiro (IslamOnline.net & News Agencies) – A Arábia Saudita está planejando uma ampliação do lugar onde peregrinos jogam pedras nos pilares simbolizando Satã, depois 251 peregrinos terem morrido pisoteados no domingo, 1 de Fevereiro, relatou um jornal saudita.

O projeto, a primeira fase de um plano traçado pelo ministro de assuntos municipais, inclui a construção de uma ponte de quatro andares sobre a área para ampliar a capacidade para 160.000 pessoas, relatou a Agência France-Presse (AFP) citando o jornal Al-Madinah. Uma ponte já existe sobre a área de 272 metros para tentar facilitar a aglomeração dos peregrinos.

Um total de 251 peregrinos muçulmanos foram pisoteados até a morte e em torno de 244 ficaram feridos domingo, o primeiro dos três dias do ritual de apedrejamento marcando o final do hajj.

O incidente ocorreu embora o horário para a realização do ritual no dia da Eid, para aqueles capazes de fazê-lo, seja a partir do nascer do sol, e para aqueles fracos e incapazes de lidar com a multidão seja a partir do final da noite.


Culpa Compartilhada

Testemunhas oculares puseram a culpa tanto nos peregrinos quanto nas autoridades sauditas, relatou o jornal Saudi Arab News na quarta-feira.

Elas disseram que os peregrinos ignoraram as instruções que lhes foram dadas – em alguns casos antes de deixarem seus países – mas culparam a polícia saudita por permitir os peregrinos convergirem para a área de Jamrat vindo de todas as direções. O problema começou quando alguns peregrinos tentaram sair pelo mesmo caminho que entraram, disse o jornal.

Tahera Ahsan, uma dona de casa Indiana, culpou os peregrinos pela tragédia. “Quando nós deixamos a Índia no caminho para Jeddah, nos foram dadas claras instruções sobre o que fazer ou não. Eu estou certa que os peregrinos de outros países também devem ter recebido instruções semelhantes. O que aconteceu no apedrejamento foi o resultado de falta de disciplina e pressa indevida na realização dos rituais,” ela disse ao Arab News.

O Ministro saudita do Hajj Iyad bin Amin Madani também culpou os peregrinos ilegais, que chegam mais cedo para realizar a Umrah (peregrinação menor) e ficam ilegalmente, assim como os residentes locais que nunca se registram para o hajj.

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4.2.04

Iraque: Sequestro de Crianças Aumenta



Crianças sequestradas podem ser mortas após o pagamento do resgate


Milhares de incidentes envolvendo sequestro de crianças tem sido registrados desde 9 de Abril de 2003. O sequestro era um crime raramente cometido no Iraque antes da ocupação.

O jornal inglês baseado no Iraque Azzaman disse sábado que dez crianças incluindo um bebê tinham sido sequestradas nas duas semanas anteriores, na cidade de al-Amara no sudeste do Iraque.

Os sequestradores geralmente pedem às famílias das crianças sequestradas um resgate se eles quiserem ter seus filhos e filhas de volta. As crianças sequestradas são geralmente mantidas em casas desertas ou semi-construídas nos subúrbios da cidade.

Figuras políticas e sociais bem conhecidas da cidade de al-Amara tem pedido às forças de ocupação e à polícia iraquiana para fazer mais para impedir esse crime terrível, mas até agora os eforços tem sido em vão.

Máfias Organizadas

“Os sequestros não são de crianças apenas, homens e mulheres ricos também estão sendo sequestrados. Os sequestradores tem suas próprias prisões, e forçam a família da vítima a comprar um telefone por satélite para se comunicar com eles, porque ele não pode ser rastreado pela polícia iraquiana,” Noman Ahmed, um ex-oficial de polícia disse a Aljazeera.net

Ele disse: “No passado gangues costumavam roubar dinheiro e jóias, mas agora que eles descobriram que é mais fácil e rentável pedir um resgate, eles se tornaram uma máfia organizada.”

Os sequestradores de crianças não pedem menos que $ 20.000 para libertar cada pessoa. A maioria dos pais iraquianos não envia suas crianças para a escola e aqueles que o fazem os acompanham entre a casa e a escola.

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Tragédia do Hajj Não Pára os Devotos

Em torno de dois milhões de peregrinos se reúnem para o ritual final do Hajj anual na terça-feira, apesar das mortes de 251 pessoas pisoteadas no domingo



Pisoteamentos se tornaram comuns durante o ritual de apedrejamento

Além das 251 pessoas mortas pisoteadas, outros 272 peregrinos morreram de causas naturais durante a peregrinação, disse o Ministro do Hajj Iyad Madani.

Depois de repetidas tragédias humanas ao longo dos anos, o rei Fahd emitiu um decreto real na noite de domingo para modernizar as cidades sagradas em um projeto de 20 anos.

O conselho dos grandes ulamas, o mais alto corpo religioso da Arábia Saudita, disse que se encontraria na quinta-feira em Meca para buscar uma solução para prevenir os pisoteamentos.

O Jamarat, o nome dado ao local onde os peregrinos simbolicamente apedrejam os três pilares representando o demônio, tem sido um lugar problemático durante a peregrinação de vários dias.

Durante três dias, centenas de milhares de peregrinos convergem para um lugar estreito no vale de Mina, várias milhas a leste de Meca e as providências tomadas até agora para minimizar a situação não apresentaram resultados.

Morrer em Meca

As mortes não chocaram muitas pessoas, com vários peregrinos certos de que aqueles que morrem durante o Hajj entram no Paraíso.

“Os familiares e amigos daqueles que morrem sentirão a sua falta mas eles tem a chance que ninguém pode ter morrendo na terra sagrada do Islam onde eles são então enterrados,” disse um bangladeshi.

Crença Antiga

“Quando nossos ancestrais partiam para a peregrinação à Meca eles se despediam de seus amigos e seguiam de camelo ou barco para uma jornada que geralmente durava vários meses,” disse Abd Allah Muhammad, um senegalês.

“A morte de um peregrino, que seria conhecida somente quando a caravana retornava, era recebida com respeito e piedade por causa da honra concedida àquele que terminou seus dias em Meca e nos lugares sagrados na Arábia Saudita,” disse ele.

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2.2.04

Kilroy é punido por declarações anti-árabes

Por Hamed Chapman

A comunidade muçulmana alegou sucesso pela saída de Robert Kilroy-Silk de seu próprio programa de entrevistas na BBC depois de 18 anos. A decisão do apresentador de 61 anos de sair foi uma “vitória chave para os muçulmanos britânicos em sua luta constante contra a Islamofobia,” disse a Sociedade Islâmica da Bretanha, que tem liderando a campanha contra a sua adequação para o trabalho.

O Conselho Islâmico da Bretanha (MCB) disse que esperava que o episódio enviaria “um sinal claro de que o racismo anti-árabe é inaceitável, tão odioso quanto qualquer outra forma de racismo.”

Apesar de sua saída Kilroy ainda pode ser processado por incitar o ódio racial, depois que a Comissão para a Igualdade Racial (CRE) pediu a polícia para investigar se seu artigo, entitulado “Não devemos nada aos árabes”, perturba a ordem pública.

Kilroy-Silk, em sua declaração de resignação de 16 de Janeiro falou das “dificuldades” que causou à BBC, mas continuou a insistir que acreditava “que é meu direito expressar minhas opiniões, por mais desconfortáveis que sejam.” Mas a Diretora da BBC Televisão, Jana Bennett, disse que a decisão não era sobre liberdade de expressão. “Apresentadores desse tipo de programa tem a responsabilidade de manter a imparcialidade da BBC,” ela insistiu.

As opiniões racistas do apresentador de televisão também foram condenadas no Parlamento por uma deputada trabalhista, Lynne Jones. Na mesma moção foram traçados paralelos com o surgimento do Nazi-fascismo na Alemanha, que “tem sido apoiado por propaganda que desumaniza e vilifica o povo judeu como uma raça.” O uso atual de “táticas similares em relação a qualquer grupo étnico ou religioso, por exemplo culpar o povo árabe em geral pelos eventos de 11 de Setembro, devem ser condenados,” alertou.

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Mudança drástica em leis de casamento do Paquistão

Fonte: Zaffar Abbas - Islamabad



A Suprema Corte do Paquistão decidiu nesta sexta-feira que as mulheres muçulmanas adultas do país podem se casar com qualquer homem que elas quiserem.
A decisão cancela um parecer anterior de um outro tribunal, que decidiu que casamentos de mulheres feitos sem o consentimento do pai ou do irmão dela não eram válidos.
Militantes de direitos humanos vinham lutando para cancelar essa decisão há cerca de seis anos.
Segundo eles, o parecer que foi cancelado pela Suprema Corte era discriminatório contra as mulheres e contrário aos preceitos islâmicos.

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